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Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650056
INTRODUÇÃO
O cuidado de pessoas com feridas em ambiente hospitalar
exige avaliação clínica sistemática, registro claro e tomada de
decisão apoiada por critérios técnicos. As lesões cutâneas têm
diferentes etiologias, níveis de complexidade e respostas
terapêuticas. Por isso, a prescrição de coberturas requer análise
do tecido, sinais de infecção, umidade, bordas, dor, evolução e
condições clínicas do paciente(1).
O Processo de Enfermagem orienta a organização desse
cuidado, pois articula avaliação, diagnóstico, planejamento,
implementação e avaliação dos resultados. Na gestão do cuidado
de feridas, esse processo permite que o enfermeiro escolha
condutas compatíveis com a situação da lesão, com as metas
terapêuticas e com a autonomia possível para o paciente. Esse
raciocínio também favorece a continuidade do cuidado entre
turnos, unidades e profissionais(1-2).
Em serviços hospitalares, a ausência de instrumentos
padronizados pode gerar registros heterogêneos, dúvidas sobre
coberturas disponíveis e atraso na solicitação de apoio
especializado. A literatura sobre melhoria da qualidade
recomenda que intervenções assistenciais sejam descritas
considerando contexto, intervenção e avaliação dos efeitos
produzidos. A diretriz SQUIRE 2.0 foi proposta para relatos de
iniciativas que buscam melhorar qualidade, segurança e valor em
saúde(3).
O acrônimo TIMERS (Tissue/Debridement, Infection, Moisture,
Edge, Regeneration e Social Fators) tem sido usado na avaliação
do leito da ferida(4). Ele organiza componentes clínicos
relacionados a tecido, inflamação ou infecção, umidade, bordas,
reparo ou regeneração e fatores sociais ou relacionados ao
paciente. Seu uso em ferramentas assistenciais pode apoiar a
decisão do enfermeiro e reduzir variações na avaliação de feridas
complexas(5-6).
No hospital público descrito neste relato, a Comissão de
Cuidados com a Pele identificou a necessidade de padronizar a
avaliação de feridas, a prescrição de coberturas e o
acompanhamento diário das lesões. A solução escolhida foi a
construção de ferramenta digital em Excel, integrada a um drive
institucional com lista de coberturas padronizadas pela Secretaria
Municipal da Saúde de São Paulo e acesso à solicitação de
interconsulta especializada.
O objetivo deste estudo foi relatar experiência de construção
e a implantação de uma ferramenta digital para padronização da
avaliação, prescrição de coberturas e acompanhamento de feridas
em um hospital público do município de São Paulo.
MÉTODO
Tipo de estudo
Trata-se de relato de experiência assistencial aplicada à
gestão do cuidado em feridas. O manuscrito foi estruturado
segundo a diretriz SQUIRE 2.0, indicada pela Rede EQUATOR para
relatos de melhoria da qualidade em saúde(3).
Cenário do estudo
A experiência ocorreu em hospital público do município de São
Paulo, no contexto das unidades de internação e da Comissão de
Cuidados com a Pele. O serviço possuía demanda de avaliação de
feridas, uso de coberturas padronizadas pela Secretaria Municipal
da Saúde e necessidade de apoio por interconsulta especializada.
Período de realização da experiência
A experiência foi registrada para submissão científica em
2026. Os documentos institucionais usados nesta redação não
delimitavam mês de início, mês de término ou duração da
implantação. Por esse motivo, o período operacional foi descrito a
partir das etapas executadas, sem datação mensal.
Sujeitos envolvidos na experiência
Participaram da experiência enfermeiros da Comissão de
Cuidados com a Pele, profissionais da educação permanente,
enfermeiros das unidades de internação e equipe envolvida nas
interconsultas. Os pacientes com feridas foram beneficiários
indiretos da intervenção assistencial, sem identificação nominal
no presente relato.
Aspectos éticos e de integridade
O relato não utilizou dados individuais de pacientes, imagens,
prontuários identificáveis ou informações nominais de
profissionais. As informações apresentadas derivam da descrição
institucional da experiência e de resultados observacionais
agregados.
OBJETIVOS DA EXPERIÊNCIA
Criar um plano de ação para capacitação técnica dos
enfermeiros na classificação das feridas, escolha da cobertura e
acompanhamento diário das lesões.
Construir e implantar uma ferramenta digital baseada no
acrônimo TIMERS para padronizar a avaliação, a prescrição de
coberturas e o acompanhamento de feridas.
Facilitar o acesso dos enfermeiros à relação de coberturas
padronizadas e ao fluxo de solicitação de interconsulta
especializada.
Estimular a corresponsabilização do enfermeiro na gestão
sistematizada de feridas e lesões cutâneas.
DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA
A experiência teve início com a identificação de desafios
relacionados à classificação de feridas, escolha de coberturas e
registro do acompanhamento diário. A Comissão de Cuidados com
a Pele analisou a necessidade de um instrumento comum para
apoiar a decisão clínica do enfermeiro e facilitar a comunicação
entre unidades.
A primeira ação consistiu na elaboração de uma ferramenta
digital em Excel. A escolha desse formato ocorreu pela
disponibilidade institucional do software, pela familiaridade dos
profissionais com planilhas e pela possibilidade de instalação nos
computadores das unidades de internação. A ferramenta foi
construída com base no acrônimo TIMERS, de modo que o
enfermeiro pudesse classificar aspectos do leito da ferida e
registrar dados necessários para o planejamento do cuidado.
A ferramenta foi pensada para apoiar três funções
assistenciais. A primeira foi a avaliação padronizada da lesão. A
segunda foi a prescrição de coberturas conforme características
clínicas e produtos disponíveis. A terceira foi o acompanhamento
diário, com registro da evolução e necessidade de reavaliação ou
interconsulta.
No mesmo drive institucional, a equipe incluiu uma relação de
coberturas padronizadas pela Secretaria Municipal da Saúde de
São Paulo. Essa lista continha nomes comerciais e genéricos, o
que reduziu dúvidas no momento da escolha e favoreceu
alinhamento entre prescrição, estoque e prática assistencial.