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Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650053
No que se refere a contenção mecânica ser um dos fatores de
risco para o desenvolvimento de delirium, houve 28 respostas
corretas (59,6%) afirmando ser um fator de risco, seguindo de 18
pessoas (38,3%) que negaram o fato. Apenas uma pessoa (2,1%)
relatou não saber a resposta.
Em contrapartida, a alternativa incorreta, que a contenção
química não é considerada um fator de risco, obteve 27 pessoas
(57,4), enquanto apenas 16 profissionais (34%) confirmaram ser
um fator de risco, e quatro (8,5%) demonstraram não saber a
resposta da questão.
O conhecimento técnico adequado sobre as ações de
prevenção de delirium que podem ser aplicadas diariamente
adquiriu 38 respostas (80,9%), sobrepondo-se a apenas sete
profissionais (14,9%) que assinalaram a resposta incorreta, e dois
(4,3%) não souberam a resposta da questão.
A alternativa correta sobre a orientação em tempo e espaço
para com o paciente, resultou em 43 respostas corretas (91,5%),
enquanto em ambas as outras alternativas, a incorreta e a que
relata não saber a resposta, obtiveram em cada duas respostas
(4,25%).
Figura 2 - Determinação da aceitação dos profissionais para
possibilidade de protocolo de prevenção e identificação de
delirium na UTI, São Paulo (SP), Brasil, 2025.
Você concorda com a possibilidade de formatação e implementação
de novo protocolo para prevenção e identificação de delirium na
UTI?
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
Ao ser avaliada a possibilidade de formulação e
implementação de novo protocolo na UTI com objetivo de
prevenção e identificação de delirium, 85,1% dos profissionais
entrevistados relataram que concordam com a criação do mesmo.
Entre as alternativas restantes, cinco profissionais (10,6%)
determinaram que concordam, porém se a implementação fosse
exclusiva para o enfermeiro da unidade, e apenas dois (4,3%) não
concordam com a realização deste protocolo.
A aceitação dos profissionais para implementação diária deste
novo protocolo de identificação e prevenção de delirium, em caso
de ser formulado, após o devido treinamento da enfermagem,
resultou em 41 pessoas (87,2%) confirmando sua participação,
enquanto cinco pessoas (10,6%) relataram não realizar pois este
deve ser feito apenas pelo enfermeiro da unidade em questão, e
uma pessoa (2,1%) não concordou com a realização diária deste
protocolo.
DISCUSSÃO
O presente estudo analisou 47 respostas em 14 questões de
múltipla escolha, referentes a dados demográficos e
conhecimentos sobre delirium, abrangendo sua definição,
identificação, prevenção e manejo, além da possibilidade futura
de realizar um protocolo institucional para aplicação de medidas
de prevenção e diagnóstico de delirium pelos profissionais de
enfermagem.
Os resultados evidenciaram maior prevalência de participantes
técnicos de enfermagem, na faixa etária entre 40-50 anos, e do
turno diurno. Segundo o Ministério da Saúde, a preconização
mínima em uma UTI se dá por um enfermeiro assistencial a cada
dez leitos e um técnico de enfermagem a cada dois leitos por
turno, justificando o percentual abrangente de técnicos nesta
pesquisa(8).
Em relação ao conhecimento sobre o delirium e seus principais
sinais e sintomas, a maioria dos participantes demonstrou
compreender a definição descrita no DSM-5, da Associação
Americana de Psiquiatria. Tal compreensão abrangeu o
reconhecimento das fases de hiperatividade e hipoatividade, que
podem apresentar variações ao longo do dia, não caracterizando
o delirium como uma condição de manifestações persistentes.
Além disso, os profissionais reconheceram a ausência de
correlação direta dessa síndrome com quadros demenciais e a
inexistência de alterações específicas em exames de
eletroencefalograma(1,4-6).
Essa compreensão da equipe de enfermagem intensiva acerca
da patologia é considerada fundamental para a promoção de um
cuidado integral ao paciente crítico. O conhecimento técnico-
científico adequado contribui significativamente para a qualidade
da assistência prestada durante o período de internação,
considerando a atuação direta desses profissionais junto ao
paciente(9,10).
No que se refere à identificação do delirium por meio de
ferramentas diagnósticas passíveis de utilização pela equipe de
enfermagem, observou-se que a maioria dos participantes
desconhecia esses instrumentos. O CAM-ICU, anteriormente
mencionado, é uma ferramenta validada para aplicação por
enfermeiros intensivistas, exigindo apenas treinamento básico
para sua execução. Estudos de validação do instrumento em
língua portuguesa evidenciam sua aplicabilidade e reforçam a
viabilidade de implementação de protocolos que contemplem seu
uso pela equipe de enfermagem, com a ressalva de que sua
aplicação é prerrogativa do enfermeiro intensivista(11,12).
A avaliação cognitiva diária, realizada ao longo da rotina
assistencial, é essencial para a detecção precoce de alterações no
nível de consciência. Embora tal observação possa ser feita por
toda a equipe de enfermagem, o Conselho Regional de
Enfermagem de São Paulo estabelece que apenas o enfermeiro
está autorizado a aplicar escalas de sedação, como a Richmond
Agitation-Sedation Scale (RASS), utilizada em conjunto com o
CAM-ICU. Essa restrição se justifica pela necessidade de
conhecimento técnico e científico específico para o uso adequado
desses instrumentos. Ademais, recomenda-se que a equipe
multiprofissional da UTI realize a observação contínua do
comportamento e da responsividade do paciente(13-15).
A análise pode ser realizada a partir da orientação temporal e
espacial do paciente, a qual permite avaliar sua capacidade de
reconhecer o ambiente, a data e o contexto em que se encontra.
Tal avaliação possibilita uma comunicação efetiva com o paciente,
valorizando sua participação e presença ativa durante o
tratamento, mesmo quando a interação ocorre por meio de
dispositivos, como em situações de ventilação mecânica. A
barreira comunicacional constitui um importante fator de risco
para o desenvolvimento do delirium, reforçando a relevância da
integração e do engajamento do paciente no processo
terapêutico(5,9,16).