Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650053
ACESSO ABERTO
Autoria
Bruna Lopes dos Santos1*
ORCID: https://orcid.org/0009-0009-4633-6021
Jucinei Araújo de Jesus1
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3159-4273
*Correspondente: brunalopesds@hotmail.com
Instituição
¹Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, São Paulo, Brasil.
Como citar este artigo • Direitos autorais©
Santos BL, Jesus JA. Conhecimento de Profissionais de
Enfermagem sobre Identificação e Prevenção do Delirium na
Unidade de Terapia Intensiva. Rev. Tec. Cient. CEJAM.
2026;5:e202650053. DOI: https://doi.org/10.59229/2764-
9806.RTCC.e202650053.
Editores
Abel Silva de Meneses Editor Chefe
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1632-2672
André Ramalho Editor Científico
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8099-3043
Submetido Aceito
09-12-2025 18-05-2026
Artigo Original
Conhecimento de Profissionais de Enfermagem sobre
Identificação e Prevenção do Delirium na Unidade de Terapia
Intensiva
Nursing Professionals’ Knowledge of the Identification and
Prevention of Delirium in the Intensive Care Unit
Conocimientos de los Profesionales de Enfermería sobre la
Identificación y Prevención del Delirio en la Unidad de Cuidados
Intensivos
Resumo
Objetivo: Verificar o conhecimento dos profissionais de enfermagem sobre identificação e
prevenção do delirium em pacientes internados na unidade de terapia intensiva. Método:
Trata-se de uma pesquisa quantitativa, do tipo estudo observacional transversal, realizada
com 47 profissionais de enfermagem atuantes em uma unidade de terapia intensiva, por
meio de um questionário online anônimo, composto por 14 questões de múltipla escolha
relacionados a dados demográficos e conhecimentos sobre identificação e prevenção de
delirium. Resultados: Foi demonstrado que 70,2% da equipe de enfermagem avaliada
possuía conhecimento técnico quanto à identificação dos principais sinais e sintomas e
80,9% conheciam medidas de prevenção do delirium. Adicionalmente, 87,2% aderiram à
formulação e implementação de protocolos específicos. Conclusão: O estudo revelou que
houve um conhecimento técnico dos profissionais de enfermagem sobre delirium, porém
com lacunas no uso de ferramentas de identificação. Além disso, a importância do
reconhecimento dos profissionais avaliados quanto à criação de protocolos específicos para
fortalecer a capacitação e implantação de protocolo institucional, consolidam a detecção e
prevenção do delirium em unidades de terapia intensiva.
Descritores: Delírio; Unidades de Terapia Intensiva; Conhecimentos, Atitudes e Prática em
Saúde; Profissionais de Enfermagem; Enfermagem de Cuidados Críticos.
Abstract
Objective: To assess nursing professionals’ knowledge regarding the identification and
prevention of delirium in patients admitted to the intensive care unit. Method: This was a
quantitative, cross-sectional observational study conducted with 47 nursing professionals
working in an intensive care unit, using an anonymous online questionnaire consisting of 14
multiple-choice questions related to demographic data and knowledge regarding the
identification and prevention of delirium. Results: The findings showed that 70.2% of the
nursing staff assessed possessed technical knowledge regarding the identification of the
main signs and symptoms, and 80.9% were familiar with measures to prevent delirium.
Additionally, 87.2% adhere to the development and implementation of specific protocols.
Conclusion: The study revealed that nursing professionals possessed technical knowledge
about delirium, but there were gaps in the use of identification tools. Furthermore, the
importance of the evaluated professionals’ recognition of the need to create specific
protocols to strengthen training and the implementation of institutional protocols reinforces
the detection and prevention of delirium in intensive care units.
Descriptors: Delirium; Intensive Care Units; Health Knowledge, Attitudes, Practice; Nurse
Practitioners; Critical Care Nursing.
Resumen
Objetivos: Evaluar los conocimientos de los profesionales de enfermería en la identificación
y prevención del delirio en pacientes hospitalizados en la unidad de cuidados intensivos.
Método: Se trata de una investigación cuantitativa, del tipo estudio observacional
transversal, realizada con 47 profesionales de enfermería que trabajan en una unidad de
terapia intensiva, mediante un cuestionario en línea anónimo, compuesto por 14 preguntas
de opción múltiple relacionadas con datos demográficos y conocimientos sobre la
identificación y prevención del delirio. Resultados: Se demostró que el 70,2 % del equipo
de enfermería evaluado poseía conocimientos técnicos sobre la identificación de los
principales signos y síntomas, y que el 80,9 % conocía las medidas de prevención del delirio.
Además, el 87,2 % se adhiere a la formulación e implementación de protocolos específicos.
Conclusión: El estudio reveló que existía un conocimiento técnico de los profesionales de
enfermería sobre el delirio, aunque con lagunas en el uso de herramientas de identificación.
Además, la importancia que los profesionales evaluados le otorgan a la creación de
protocolos específicos para fortalecer la capacitación y la implementación de un protocolo
institucional consolida la detección y prevención del delirio en las unidades de cuidados
intensivos.
Descriptores: Delirio; Unidades de Cuidados Intensivos; Conocimientos, Actitudes y
Práctica en Salud; Enfermeras Practicantes; Enfermería de Cuidados Críticos.
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Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650053
INTRODUÇÃO
De acordo com a quinta edição do Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais [Diagnostic and Statistical
Manual of Mental Disorders] (DSM-5) da Associação Americana de
Psiquiatria, o delirium é considerado como uma alteração da
consciência e da atenção, seguido de episódios de perturbação
cognitiva em um curto período e com características oscilativas ao
longo de um dia(1).
A prevalência deste diagnóstico, segundo o DSM-5, é maior na
população idosa, atingindo cerca de 14% dos indivíduos com
idade superior a 85 anos. Ademais, a incidência desta patologia
no ambiente hospitalar pode acometer em torno de 60% dos
pacientes internados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A partir do diagnóstico deste distúrbio, e o curso em vida do
doente, há um aumento significativo de até 40% da mortalidade
em ambiente hospitalar(1).
A literatura nacional demonstra alta ocorrência de delirium em
pacientes críticos. Em estudo realizado em UTI de um hospital da
região Nordeste, observou-se prevalência de 45,9%, compatível
com intervalos descritos na literatura (28%73%), reforçando a
relevância epidemiológica da síndrome no cuidado intensivo(2).
Em um hospital de urgência do estado de Goiás, a prevalência
foi de 18,6% entre 102 pacientes, sem associação com idade,
tempo de internação ou polifarmácia, mas relacionada ao uso de
contenção física, evidenciando a ocorrência do delirium em
diferentes cenários hospitalares no Brasil(3).
O delirium é uma condição que pode ser prevenida a partir de
medidas no cuidado aplicado ao paciente, ao preconizar a
comunicação efetiva dos profissionais de saúde com o doente e
seus familiares, norteando-os sobre as condições do processo
doença e o ambiente no qual se encontram. Outrossim, a
citação do manejo correto e não exacerbado de contenções
mecânicas e químicas, como sedativos, os quais s”ao
reconhecidos como fatores de risco para o desenvolvimento e
evolução deste transtorno, justificando a importância da
mobilização dos pacientes em ambiente intensivo(1,4-6).
A prevenção de delirium nestes pacientes pode ser baseada a
partir da mais recente diretriz, a Clinical Practice Guidelines for
the Prevention and Management of Pain, Agitation/Sedation,
Delirium, Immobility and Sleep Disruption in Adult Patients in the
Intensive Care Unit (Diretrizes de prática clínica para prevenção e
tratamento de dor, agitação/sedação, delírio, imobilidade e
distúrbios do sono em pacientes adultos na unidade de terapia
intensiva), um guia descritivo sobre manejo e cuidado de
pacientes em UTI, com características relacionadas à avaliação,
diagnóstico, tratamento e prevenção do delirium em pacientes
internados em UTI e presença de um mnemônico, ABCDEF(5-6).
Uma das ferramentas científicas validadas para identificação
de delirium no ambiente de terapia intensiva é o Confusion
Assessment Method for the Intensive Care Unit (CAM-ICU), um
método baseado em outro instrumento de identificação de
delirium, o Confusion Assessment Method (CAM), método
utilizado em diversos setores hospitalares(7).
O CAM-ICU se desenvolveu para a avaliação dos pacientes que
estão sob uso de ventilação mecânica, devido a impossibilidade
de se comunicar verbalmente. Este é composto por quatro etapas:
1- início agudo ou curso flutuante de estado mental, 2- distúrbio
da atenção, 3- alteração do nível de consciência e 4 pensamento
desorganizado. A partir disto, a análise constitui-se da observação
do padrão de resposta não verbal do paciente através da resposta
dada a comandos simples, o reconhecimento de figuras pela
aplicação do Attention Screening Examination (ASE), vigilância e
respostas a perguntas lógicas e simples com sim ou não(7).
Diante da relevância clínica do delirium no contexto da terapia
intensiva e da necessidade de reconhecimento precoce para
redução de complicações, este estudo tem como objetivo verificar
o conhecimento dos profissionais de enfermagem sobre
identificação e prevenção do delirium em pacientes internados na
UTI. Busca-se, adicionalmente, identificar o entendimento desses
profissionais acerca da importância dessas práticas no cuidado
diário e, por fim, avaliar a possibilidade futura de formular e
implementar um protocolo institucional voltado à identificação do
delirium no ambiente de cuidados intensivos.
MÉTODO
Desenho, Cenário e Período
Estudo epidemiológico observacional do tipo transversal,
desenvolvido para avaliar o conhecimento dos profissionais de
enfermagem sobre identificação e prevenção do delirium em UTI.
O estudo foi realizado na UTI Adulto 1 do Hospital Municipal
Doutor Fernando Mauro Pires da Rocha, com coleta de dados entre
08 de agosto e 08 de setembro de 2025.
Este estudo seguiu as recomendações do checklist STROBE,
da Rede EQUATOR, para pesquisas observacionais transversais.
Participantes
Participaram 50 profissionais de enfermagem (técnicos e
enfermeiros) atuantes nos turnos diurno e noturno. Foram
incluídos profissionais em exercício no período da coleta que
concordaram em participar. Respostas incompletas foram
excluídas.
Instrumento e Variáveis
A coleta ocorreu por meio de questionário online anônimo,
composto por 14 questões de múltipla escolha de elaboração
própria. O instrumento abordou variáveis demográficas e
conhecimentos sobre identificação, prevenção, sinais, sintomas,
fatores de risco e ferramentas avaliativas do delirium baseadas
em informações apresentadas na Diretrizes de prática clínica para
prevenção e tratamento de dor, agitação/sedação, delírio,
imobilidade e distúrbios do sono em pacientes adultos na UTI e o
instrumento CAM-ICU(5,7).
Quadro 1 - Itens do questionário aplicados, São Paulo (SP),
Brasil, 2025.
Pergunta
1
Qual faixa etária você se encaixa?
2
Em qual turno você trabalha?
3
Qual cargo de enfermagem você ocupa?
4
O que é o delirium?
5
Quais os principais sinais e sintomas de um paciente em delirium
na UTI?
6
Qual ferramenta pode ser utilizada para diagnóstico de delirium em
UTI pela equipe de enfermagem?
7
Você realiza avaliação cognitiva diária durante o plantão?
8
O delirium pode ser evitado em ambiente de UTI?
9
A contenção mecânica é considerada fator de risco para delirium?
10
A contenção química com uso de antipsicóticos/opioides é fator de
risco para delirium?
11
Quais ações podem ser realizadas para prevenir delirium?
12
O que significa orientar o paciente em tempo e espaço?
13
Você concorda com a formulação e implementação de protocolo
para prevenção e identificação do delirium na UTI?
14
Você realizaria diariamente, após capacitação, a aplicação do
protocolo durante seu plantão?
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
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Coleta e Análise dos Dados
Um questionário foi encaminhado eletronicamente, permitindo
preenchimento autônomo. As respostas foram registradas em
plataforma segura, sendo impossibilitada a duplicidade de
respostas devido à exigência de login por e-mail anônimo para
acesso ao instrumento.
Os dados foram organizados em planilha eletrônica gerada
pela ferramenta de planilhas do Google Forms, aplicativo utilizado
para a aplicação do questionário, e analisados por estatística
descritiva, com apresentação de frequências absolutas e relativas.
Aspectos Éticos e de Integridade
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob
CAAE 89614225.3.0000.5452. A participação ocorreu mediante
termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), informando
objetivos, anonimato, confidencialidade e possibilidade de
interrupção. O risco limitou-se a eventual apreensão durante o
preenchimento, minimizado pelo caráter anônimo das respostas.
RESULTADOS
A pesquisa resultou em 50 respostas de profissionais,
seguindo os critérios de inclusão e exclusão deste trabalho, as
quais foram revisadas e agrupadas em tabelas individualizadas
para cada questão, representadas a seguir.
O TCLE, aplicado no início do questionário, obteve 50
respostas, das quais 47 pessoas (94%) aceitaram participar da
pesquisa, e apenas três profissionais (6%) manifestaram o não
desejo de participar. Dito isto, as questões referidas a seguir se
baseiam em um número total de 47 participantes, entre estes oito
do sexo masculino e 39 do sexo feminino.
A faixa etária predominante foi de 40-50 anos, com 15
participantes (31,9%), seguido de 14 participantes (29,8%) na
faixa etária de 29-39 anos. Apenas 21,3% dos participantes
possuíam a faixa etária 18-28 anos (10 participantes) e 17% eram
maiores de 50 anos (8 participantes).
A participação foi maior entre os profissionais do turno diurno,
com 28 respondentes (59,6%), em comparação com 19 (40,4%)
do turno noturno. Foi evidenciada a adesão majoritária de
técnicos de enfermagem, 35 participantes (74,5%), em
comparação aos 12 enfermeiros (25,5%).
Tabela 1 - Características demográficas dos participantes da
pesquisa, São Paulo (SP), Brasil, 2025.
Variável
Categoria
%
Sexo
Feminino
39
83,0
Masculino
8
17,0
Faixa etária
18-28
10
21,3
29-39
14
29,8
40-50
15
31,9
>50
8
17,0
Turno de trabalho
Diurno
28
59,6
Noturno
19
40,4
Categoria profissional
Téc enfermagem
35
74,5
Enfermeiro
12
25,5
Total
47
100,0
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
O conhecimento dos profissionais referente a definição de
delirium, a alternativa correta, “uma alteração da consciência e
da atenção, seguido de episódios de perturbação cognitiva em um
curto período e com características oscilativas ao longo de um
dia”, dispôs do maior quantitativo de respostas, 37 (78,7%),
seguido de nove pessoas (19,1%) que assinalaram “Perturbação
acentuada e persistente no humor que predomina no quadro
clínico, caracterizada por humor eufórico, expansivo e irritável,
com ou sem humor deprimido, ou redução marcadamente
diminuída no interesse ou no prazer em todas ou quase todas as
atividades”, definição incorreta. Por fim, apenas uma pessoa
(2,1%) referiu não saber o significado de delirium.
Referente aos sinais e sintomas dos pacientes em UTI em
delirium, a alternativa “orientação reduzida do ambiente,
perturbação do ciclo vigília-sono, irritabilidade, apatia, euforia,
agitação psicomotora”, considerada correta, obteve 33 respostas
(70,2%). Já a alternativa incorreta, “alucinações, perturbação do
ciclo vigília-sono, atividade elétrica diminuída em
eletroencefalograma comprovado, demência”, recebeu 13
respostas (27,7%), seguida de uma pessoa (2,1%) que referiu
não saber os principais sinais e sintomas.
O não conhecimento da maioria dos profissionais sobre
ferramentas de diagnóstico de delirium na UTI, foi evidenciado
por 27 respostas (57,4%) de “não sei”, seguidas de 17 pessoas
(36,2%) que acertaram o método correto, CAM-ICU, e três
respostas incorretas (6,4%) que referiram a ferramenta incorreta,
Precivity AD2.
Ao determinar se os profissionais de enfermagem realizavam
a avaliação diária cognitiva de seus pacientes durante o plantão,
foi encontrado que 59,6% dos profissionais afirmaram realizar e
40,4% que declararam realizar a avaliação apenas quando
possível.
Tabela 2 - Conhecimento e práticas relacionadas ao delirium na
UTI, São Paulo (SP), Brasil, 2025.
Questão/ Variável
%
Sinais e sintomas do
delirium
33
70,2
13
27,7
1
2,1
Conhecimento sobre
ferramenta diagnóstica
27
57,4
17
36,2
3
6,4
Avaliação cognitiva diária
28
59,6
19
40,4
Total
47
100,0
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
O conhecimento dos profissionais de enfermagem em relação
ao delirium ser uma patologia evitável em ambiente de UTI,
adquiriu 36 respostas (76,6%) que indicaram a correta, “sim”,
enquanto sete indivíduos (14,9%) relataram não ser evitável e
quatro (8,5%), admitiram não saberem a resposta.
Figura 1 - Determinação do conhecimento dos profissionais sobre
o delirium ser ou não evitado em UTI, São Paulo (SP), Brasil,
2025.
O delirium pode ser evitado no ambiente de UTI?
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
Sim
Não
Não sei
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No que se refere a contenção mecânica ser um dos fatores de
risco para o desenvolvimento de delirium, houve 28 respostas
corretas (59,6%) afirmando ser um fator de risco, seguindo de 18
pessoas (38,3%) que negaram o fato. Apenas uma pessoa (2,1%)
relatou não saber a resposta.
Em contrapartida, a alternativa incorreta, que a contenção
química não é considerada um fator de risco, obteve 27 pessoas
(57,4), enquanto apenas 16 profissionais (34%) confirmaram ser
um fator de risco, e quatro (8,5%) demonstraram não saber a
resposta da questão.
O conhecimento técnico adequado sobre as ações de
prevenção de delirium que podem ser aplicadas diariamente
adquiriu 38 respostas (80,9%), sobrepondo-se a apenas sete
profissionais (14,9%) que assinalaram a resposta incorreta, e dois
(4,3%) não souberam a resposta da questão.
A alternativa correta sobre a orientação em tempo e espaço
para com o paciente, resultou em 43 respostas corretas (91,5%),
enquanto em ambas as outras alternativas, a incorreta e a que
relata não saber a resposta, obtiveram em cada duas respostas
(4,25%).
Figura 2 - Determinação da aceitação dos profissionais para
possibilidade de protocolo de prevenção e identificação de
delirium na UTI, São Paulo (SP), Brasil, 2025.
Você concorda com a possibilidade de formatação e implementação
de novo protocolo para prevenção e identificação de delirium na
UTI?
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
Ao ser avaliada a possibilidade de formulação e
implementação de novo protocolo na UTI com objetivo de
prevenção e identificação de delirium, 85,1% dos profissionais
entrevistados relataram que concordam com a criação do mesmo.
Entre as alternativas restantes, cinco profissionais (10,6%)
determinaram que concordam, porém se a implementação fosse
exclusiva para o enfermeiro da unidade, e apenas dois (4,3%) não
concordam com a realização deste protocolo.
A aceitação dos profissionais para implementação diária deste
novo protocolo de identificação e prevenção de delirium, em caso
de ser formulado, após o devido treinamento da enfermagem,
resultou em 41 pessoas (87,2%) confirmando sua participação,
enquanto cinco pessoas (10,6%) relataram não realizar pois este
deve ser feito apenas pelo enfermeiro da unidade em questão, e
uma pessoa (2,1%) não concordou com a realização diária deste
protocolo.
DISCUSSÃO
O presente estudo analisou 47 respostas em 14 questões de
múltipla escolha, referentes a dados demográficos e
conhecimentos sobre delirium, abrangendo sua definição,
identificação, prevenção e manejo, além da possibilidade futura
de realizar um protocolo institucional para aplicação de medidas
de prevenção e diagnóstico de delirium pelos profissionais de
enfermagem.
Os resultados evidenciaram maior prevalência de participantes
técnicos de enfermagem, na faixa etária entre 40-50 anos, e do
turno diurno. Segundo o Ministério da Saúde, a preconização
mínima em uma UTI se dá por um enfermeiro assistencial a cada
dez leitos e um técnico de enfermagem a cada dois leitos por
turno, justificando o percentual abrangente de técnicos nesta
pesquisa(8).
Em relação ao conhecimento sobre o delirium e seus principais
sinais e sintomas, a maioria dos participantes demonstrou
compreender a definição descrita no DSM-5, da Associação
Americana de Psiquiatria. Tal compreensão abrangeu o
reconhecimento das fases de hiperatividade e hipoatividade, que
podem apresentar variações ao longo do dia, não caracterizando
o delirium como uma condição de manifestações persistentes.
Além disso, os profissionais reconheceram a ausência de
correlação direta dessa síndrome com quadros demenciais e a
inexistência de alterações específicas em exames de
eletroencefalograma(1,4-6).
Essa compreensão da equipe de enfermagem intensiva acerca
da patologia é considerada fundamental para a promoção de um
cuidado integral ao paciente crítico. O conhecimento técnico-
científico adequado contribui significativamente para a qualidade
da assistência prestada durante o período de internação,
considerando a atuação direta desses profissionais junto ao
paciente(9,10).
No que se refere à identificação do delirium por meio de
ferramentas diagnósticas passíveis de utilização pela equipe de
enfermagem, observou-se que a maioria dos participantes
desconhecia esses instrumentos. O CAM-ICU, anteriormente
mencionado, é uma ferramenta validada para aplicação por
enfermeiros intensivistas, exigindo apenas treinamento básico
para sua execução. Estudos de validação do instrumento em
língua portuguesa evidenciam sua aplicabilidade e reforçam a
viabilidade de implementação de protocolos que contemplem seu
uso pela equipe de enfermagem, com a ressalva de que sua
aplicação é prerrogativa do enfermeiro intensivista(11,12).
A avaliação cognitiva diária, realizada ao longo da rotina
assistencial, é essencial para a detecção precoce de alterações no
nível de consciência. Embora tal observação possa ser feita por
toda a equipe de enfermagem, o Conselho Regional de
Enfermagem de São Paulo estabelece que apenas o enfermeiro
está autorizado a aplicar escalas de sedação, como a Richmond
Agitation-Sedation Scale (RASS), utilizada em conjunto com o
CAM-ICU. Essa restrição se justifica pela necessidade de
conhecimento técnico e científico específico para o uso adequado
desses instrumentos. Ademais, recomenda-se que a equipe
multiprofissional da UTI realize a observação contínua do
comportamento e da responsividade do paciente(13-15).
A análise pode ser realizada a partir da orientação temporal e
espacial do paciente, a qual permite avaliar sua capacidade de
reconhecer o ambiente, a data e o contexto em que se encontra.
Tal avaliação possibilita uma comunicação efetiva com o paciente,
valorizando sua participação e presença ativa durante o
tratamento, mesmo quando a interação ocorre por meio de
dispositivos, como em situações de ventilação mecânica. A
barreira comunicacional constitui um importante fator de risco
para o desenvolvimento do delirium, reforçando a relevância da
integração e do engajamento do paciente no processo
terapêutico(5,9,16).
Sim
Não
Sim, desde que exclusivo do
enfermeiro
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De acordo com a Diretriz de Prática Clínica para o Manejo da
Dor, Agitação e Delírio em Pacientes Adultos na UTI, a mobilização
precoce constitui estratégia fundamental na prevenção do
delirium, por favorecer a manutenção da função cognitiva e
reduzir complicações associadas à imobilidade. Essa evidência
contrapõe-se à percepção de parte dos profissionais de
enfermagem deste estudo, que relataram considerar a contenção
mecânica necessária para o controle da agitação, sem reconhecê-
la como fator de risco. Entretanto, a utilização desse recurso limita
a mobilização do paciente no leito e pode interferir negativamente
em estratégias preventivas recomendadas(5).
Em concordância, estudo de coorte retrospectiva com 11.979
internações adultas identificou prevalência de contenção física de
6,4% e associação desse recurso a piores desfechos clínicos,
incluindo maior tempo de internação e mortalidade. A análise
conjunta das evidências reforça que a contenção mecânica, ao
restringir a mobilização e refletir maior complexidade assistencial,
deve ser interpretada como intervenção potencialmente deletéria,
contribuindo para maior vulnerabilidade ao delirium e devendo,
portanto, ser empregada com cautela e como medida de último
recurso(17).
No que se refere à contenção química, 27 profissionais a
classificaram como necessária e não como fator predisponente ao
delirium, percepção que contrasta com evidências que apontam
ausência de suporte consistente para o uso de antipsicóticos,
como o haloperidol, na prevenção ou tratamento da síndrome.
Nesse contexto, recomenda-se a priorização de sedação leve e a
realização de despertar diário como estratégias mais seguras para
o manejo clínico, por favorecerem menor exposição a fatores
precipitantes e melhor monitoramento do estado neurológico(5,14-
16).
Em consonância, estudo conduzido em unidade de terapia
intensiva da região Nordeste brasileira evidenciou elevada
prevalência de delirium e ressaltou a influência de fatores
assistenciais, incluindo a exposição a sedativos, na sua
ocorrência. A análise conjunta dos achados sugere que a
contenção química, embora frequentemente percebida como
necessária para controle da agitação, pode aumentar a
vulnerabilidade à disfunção cognitiva aguda ao promover sedação
mais profunda e reduzir a interação do paciente com o ambiente,
reforçando a necessidade de abordagens centradas em sedação
mínima e vigilância sistemática como medidas para reduzir a
prevalência do delirium(3).
Por outro lado, observou-se que a maioria dos profissionais de
enfermagem demonstrou conhecimento acerca das principais
medidas de prevenção do delirium em UTI. Entre as práticas
citadas, destacam-se a mobilização precoce sempre que possível,
a orientação temporal e espacial do paciente, o estímulo à
participação ativa nos cuidados, o manejo adequado da dor e do
desconforto, além da preservação do sono. Tais ações estão em
consonância com as recomendações apresentadas, que reforçam
o papel fundamental da equipe de enfermagem na adoção de
estratégias preventivas no cuidado diário ao paciente
crítico(4,12,14,16).
Limitações do Estudo
Este estudo apresenta limitações, como a amostra por
conveniência e restrita a uma única UTI, o que pode limitar a
interpretação e inferência dos resultados. O questionário de
elaboração própria carece de validação formal, influenciando a
precisão das respostas. Além disso, o autopreenchimento online
pode ter gerado variações na interpretação das perguntas. Ainda
assim, o anonimato e a padronização da aplicação contribuíram
para minimizar esses efeitos.
Contribuições para a Área
Os resultados deste estudo evidenciam lacunas no
conhecimento da equipe de enfermagem sobre delirium,
especialmente quanto aos fatores de risco e às ferramentas
diagnósticas. Esses achados reforçam a necessidade de
capacitação contínua e de protocolos padronizados na UTI, o que
pode melhorar a identificação e prevenção da condição. Para
pesquisas futuras, recomendam-se estudos que avaliem
intervenções educativas e a efetividade de protocolos
institucionais, além de investigações que permitam comparar
diferentes unidades e ampliar a aplicabilidade dos resultados.
CONCLUSÃO
Os resultados demonstraram que a equipe de enfermagem,
deste hospital em específico, possui bom conhecimento sobre a
definição, sinais, sintomas e medidas preventivas do delirium,
embora persistam lacunas importantes relacionadas ao uso de
ferramentas diagnósticas, especialmente o CAM-ICU, e à
compreensão dos riscos associados à contenção mecânica e
química. Esses achados reforçam parcialmente os objetivos do
estudo, indicando que, apesar de um entendimento conceitual
adequado, ainda fragilidades na identificação estruturada da
síndrome.
Do ponto de vista prático, os dados revelam a necessidade de
consolidar o treinamento da equipe de enfermagem, uma vez que
a ausência de conhecimento sobre instrumentos formais pode
limitar a detecção precoce do delirium. A ampla aceitação da
implementação de um protocolo institucional demonstra um
ambiente favorável à adoção de práticas mais padronizadas,
podendo influenciar positivamente a qualidade do cuidado e
estimular futuras pesquisas sobre intervenções educativas na UTI.
Recomenda-se, portanto, o desenvolvimento e implementação
de protocolos assistenciais específicos para identificação e manejo
do delirium, acompanhados de capacitações periódicas que
incluam o uso do CAM-ICU e estratégias preventivas baseadas em
evidências. Tais medidas podem contribuir para reduzir lacunas
identificadas e aprimorar a segurança e o cuidado ao paciente
crítico.
CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES
Transparência na contribuição dos autores segundo a
Taxonomia CRediT.
Conceitualização
Bruna Lopes dos Santos; Jucinei Araújo de Jesus
Curadoria de dados
Bruna Lopes dos Santos
Análise formal
Bruna Lopes dos Santos; Jucinei Araújo de Jesus
Aquisição de financiamento
Não aplicável
Investigação
Bruna Lopes dos Santos; Jucinei Araújo de Jesus
Metodologia
Bruna Lopes dos Santos; Jucinei Araújo de Jesus
Administração do projeto
Bruna Lopes dos Santos; Jucinei Araújo de Jesus
Recursos
Bruna Lopes dos Santos
Software
Não aplicável
Supervisão
Jucinei Araújo de Jesus
Validação
Bruna Lopes dos Santos; Jucinei Araújo de Jesus
Visualização
Bruna Lopes dos Santos
Escrita - esboço original
Bruna Lopes dos Santos; Jucinei Araújo de Jesus
Escrita - revisão e edição
Bruna Lopes dos Santos; Jucinei Araújo de Jesus
DECLARAÇÕES
Conflitos de interesse
Não aplicável
Financiamento
Não aplicável
Aprovação ética
Não aplicável
Agradecimentos
Não aplicável
Preprint
Não aplicável
Inteligência Artificial
Não aplicável
ACESSO ABERTO https://revista.cejam.org.br
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Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650053
INFORMAÇÃO SUPLEMENTAR
Os dados utilizados neste estudo foram disponibilizados em
repositório de acesso aberto (Zenodo). Conjunto de dados
anonimizados, instrumento e dicionário de variáveis disponíveis
em: https://doi.org/10.5281/zenodo.17871094.
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