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Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650052
multiprofissional, auxiliando na tomada de decisões sobre
intervenções, adaptações necessárias no ambiente e estratégias
para promoção da autonomia.
Acompanhamento da Família
A participação familiar é essencial no diagnóstico e reabilitação
de bebês e crianças com risco psíquico ou TEA. Desde o início, a
família é envolvida por meio de escuta ativa, considerando suas
percepções e angústias, o que permite uma compreensão
ampliada do contexto.
Durante a reabilitação, os cuidadores recebem
acompanhamento para entender o impacto do diagnóstico e
desenvolver estratégias para favorecer o desenvolvimento infantil
e a inclusão social. Reuniões bimestrais com a equipe
multiprofissional possibilitam trocas entre famílias, ajustes no PTS
e alinhamento de estratégias conforme a evolução da criança.
Essa abordagem fortalece o papel da família como parceira ativa
no processo, garantindo que os avanços terapêuticos se
sustentem no cotidiano da criança.
Atuação em Rede
O atendimento da pessoa com TEA não se limita às terapias
no serviço de reabilitação, mas deve estar articulado a outros
pontos da rede, envolvendo saúde, educação, cultura, lazer e
esporte. Dessa forma, o protocolo reforça que a reabilitação não
deve restringir o sujeito a um espaço clínico, mas sim possibilitar
sua circulação e participação social em diferentes contextos.
Portanto, além do encaminhamento e orientação para
equipamentos da rede, são oferecidas orientações e atuações
para que o sujeito com TEA e a família ampliem suas práticas para
espaços da comunidade, onde a reabilitação auxilia promovendo
atividades externas como passeios, visitas a parques, centros
culturais, espaços esportivos e outros ambientes públicos. Essas
ações permitem que tanto o paciente quanto sua família
conheçam o território, se apropriem dos recursos disponíveis e
compreendam que a deficiência não deve ser um fator de exclusão
social, mas sim um aspecto a ser considerado na construção de
uma vida ativa e participativa.
Essa abordagem favorece o desenvolvimento da autonomia,
amplia as possibilidades de socialização e fortalece a construção
de uma rede de suporte que vai além do serviço de saúde,
garantindo uma inserção mais ampla da pessoa com TEA na
sociedade.
DISCUSSÃO
Os resultados apresentados demonstram a estruturação do
atendimento ao TEA no CER, evidenciando um modelo
interprofissional e compartilhado, com foco na funcionalidade e na
qualidade de vida dos pacientes. A organização do protocolo de
atendimento, desde a fase diagnóstica até a reabilitação e a
transição para a vida adulta, reflete uma abordagem que integra
diferentes dimensões do cuidado, indo além de uma perspectiva
meramente clínica. Esse modelo alinha-se a autores e
documentos internacionais, como o “Marco para Ação em
Educação Interprofissional e Prática Colaborativa” da OMS(9),
ressaltam que a prática colaborativa em saúde fortalece a eficácia
dos serviços, pois envolve profissionais que, ao trabalharem
juntos, complementam seus saberes e ampliam os resultados
terapêuticos.
De acordo com Beauchemin et al. (2019)(10), a implementação
de diretrizes clínicas na prática assistencial é um processo
complexo que requer a integração entre evidências científicas,
contexto institucional e engajamento dos profissionais. A
literatura destaca que, mesmo diante da ampla disponibilidade de
protocolos baseados em evidências, os resultados esperados em
qualidade assistencial nem sempre são alcançados, devido a
barreiras como resistência à mudança, falta de treinamento e
limitações estruturais nos serviços de saúde.
Chacarolli et al. (2023)(11), ressaltam que a produção de
diretrizes resumidas representa uma importante estratégia de
tradução do conhecimento, permitindo que protocolos clínicos
sejam efetivamente incorporados à rotina dos serviços de saúde.
Essa abordagem tem contribuído para a disseminação de boas
práticas e para o fortalecimento da atenção integral às pessoas
com TEA, especialmente em situações que envolvem
comportamentos agressivos, comunicação e socialização.
A intervenção precoce é amplamente reconhecida como um
fator determinante para minimizar os impactos do TEA no
desenvolvimento infantil. Estudos demonstram que abordagens
iniciadas na primeira infância, como o Early Start Denver Model,
resultam em melhorias significativas na comunicação e nas
habilidades adaptativas das crianças com TEA(12). Ademais, dados
do CDC(3) ressaltam que o diagnóstico e a intervenção precoces
possibilitam maior integração social e redução das barreiras
funcionais na vida adulta. No Brasil, a inclusão da família no
processo terapêutico é destacada como uma necessidade de
integração entre os setores da saúde e da educação para garantir
uma abordagem mais ampla e inclusiva(13).
O atendimento interdisciplinar é outro pilar essencial do
modelo de reabilitação adotado pelo CER. A literatura
internacional enfatiza a importância da colaboração entre
diferentes especialidades para otimizar os resultados
terapêuticos, ao qual discutem a relevância de padrões para a
colaboração interprofissional no tratamento do TEA, reforçando
que a integração de psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas
ocupacionais e médicos melhora significativamente os desfechos
dos pacientes(14). No contexto nacional, autores demonstram que
a prática colaborativa na saúde fortalece a eficácia dos serviços,
pois permite que diferentes profissionais complementem seus
saberes, resultando em diagnósticos mais precisos e terapias mais
eficazes(15).
A articulação em rede é fundamental para garantir a
continuidade do cuidado e promover a inclusão social. No estudo
sobre a organização do trabalho nos CERs da cidade de São
Paulo(16), observa-se que, apesar das diretrizes municipais e
nacionais, cada unidade estrutura seus serviços de maneira
singular, refletindo os desafios da integração entre os
profissionais, as demandas locais e a rede de atenção à saúde. A
ausência de espaços formais para discussão de casos e
planejamento de ações compromete a efetividade do cuidado
interprofissional. Isso reforça a importância de iniciativas como as
reuniões bimestrais com familiares no CER, que possibilitam uma
melhor compreensão do processo terapêutico e promovem o
engajamento da família na reabilitação.
A utilização do IFBr-M no acompanhamento dos pacientes
representa um avanço na avaliação da reabilitação, pois permite
considerar não apenas aspectos clínicos, mas também barreiras
sociais e ambientais. Esse modelo de avaliação está alinhado a
abordagens internacionais que buscam integrar a funcionalidade
do indivíduo ao contexto social, ampliando a compreensão dos
desafios enfrentados por pessoas com TEA e possibilitando ajustes
mais eficazes no PTS.