Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650052
ACESSO ABERTO
Autoria
Ana Paula Ribeiro Hirakawa1*
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5257-5023
Karla Dias Tomazella1
ORCID: https://orcid.org/0009-0002-5635-9656
Suzi Mary Simões1
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7974-9027
*Correspondente: paula.hirakawa@usp.br
Instituição
¹Centro Especializado em Reabilitação (CER) IV M'Boi Mirim,
São Paulo, SP, Brasil.
Como citar este artigo • Direitos autorais©
Hirakawa APR, Tomazella KD, Simões SM. Atendimento às
Pessoas com Transtorno do Espectro Autista na Reabilitação:
protocolo e estratégias terapêuticas. Rev. Tec. Cient. CEJAM.
2026;5:e202650052. DOI: https://doi.org/10.59229/2764-
9806.RTCC.e202650052.
Editores
Abel Silva de Meneses Editor Chefe
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1632-2672
André Ramalho Editor Científico
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8099-3043
Submetido Aceito
22-08-2025 17-03-2026
Artigo Original
Atendimento às Pessoas com Transtorno do Espectro Autista
na Reabilitação: protocolo e estratégias terapêuticas
Care for People with Autism Spectrum Disorder in Rehabilitation:
protocol and therapeutic strategies
Atención a las Personas con Trastorno del Espectro Autista en la
Rehabilitación: protocolo y estrategias terapéuticas
Resumo
Objetivo: Descrever o modelo de atendimento interdisciplinar oferecido a pessoas com
Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Centro Especializado em Reabilitação (CER),
enfatizando os protocolos assistenciais e estratégias terapêuticas adotadas. Método: Estudo
descritivo baseado na análise documental do Protocolo de Atendimento à Pessoa com TEA
do CER. Foram examinadas diretrizes institucionais, critérios de inclusão, estrutura dos
atendimentos individuais e em grupo, participação da família e articulação com a rede de
atenção à saúde. Resultados: O protocolo estabelece um fluxo estruturado para avaliação
e reabilitação, incluindo intervenção precoce para crianças com risco psíquico, atendimentos
em grupo organizados por faixa etária e suporte contínuo às famílias. A abordagem
interdisciplinar permite um acompanhamento integral, articulando diferentes especialidades
para favorecer a inclusão e o desenvolvimento funcional dos usuários. Conclusão: O modelo
adotado pelo CER contribui para a reabilitação de pessoas com TEA, reforçando a
importância da assistência interdisciplinar. A padronização dos fluxos e a articulação com a
rede de atenção ampliam as possibilidades de inclusão social e promoção da autonomia dos
usuários.
Descritores: Transtorno do Espectro Autista; Reabilitação; Equipe Interdisciplinar de
Saúde; Inclusão Social; Saúde Pública.
Abstract
Objective: To describe the interdisciplinary care model provided to individuals with Autism
Spectrum Disorder (ASD) at the Specialized Rehabilitation Center (SRC), with an emphasis
on the care protocols and therapeutic strategies adopted. Method: A descriptive study
based on a document analysis of the SRC’s Care Protocol for Individuals with ASD.
Institutional guidelines, inclusion criteria, the structure of individual and group care, family
involvement, and coordination with the healthcare network were examined. Results: The
protocol establishes a structured workflow for assessment and rehabilitation, including early
intervention for children at psychological risk, group sessions organized by age group, and
ongoing support for families. The interdisciplinary approach allows for comprehensive care,
coordinating different specialties to promote the inclusion and functional development of
service users. Conclusion: The model adopted by SRC contributes to the rehabilitation of
individuals with ASD, reinforcing the importance of interdisciplinary care. The
standardization of care pathways and coordination with the healthcare network expand the
possibilities for social inclusion and the promotion of service users’ autonomy.
Descriptors: Autism Spectrum Disorder; Rehabilitation; Patient Care Team; Social
Inclusion; Public Health.
Resumen
Objetivos: Describir el modelo de atención interdisciplinaria que se ofrece a las personas
con Trastorno del Espectro Autista (TEA) en el Centro Especializado en Rehabilitación (CER),
haciendo hincapié en los protocolos de atención y las estrategias terapéuticas adoptadas.
Método: Estudio cualitativo de campo, realizado con profesionales de la salud de la UCI
para Estudio descriptivo basado en el análisis documental del Protocolo de Atención a
Personas con TEA del CER. Se examinaron las directrices institucionales, los criterios de
inclusión, la estructura de las atenciones individuales y grupales, la participación de la
familia y la articulación con la red de atención de salud. Resultados: El protocolo establece
un flujo estructurado para la evaluación y la rehabilitación, incluyendo la intervención
temprana para niños con riesgo psíquico, atenciones grupales organizadas por grupo de
edad y apoyo continuo a las familias. El enfoque interdisciplinario permite un seguimiento
integral, articulando diferentes especialidades para favorecer la inclusión y el desarrollo
funcional de los usuarios. Conclusión: El modelo adoptado por el CER contribuye a la
rehabilitación de personas con TEA, reforzando la importancia de la asistencia
interdisciplinaria. La estandarización de los flujos y la articulación con la red de atención
amplían las posibilidades de inclusión social y promoción de la autonomía de los usuarios.
Descriptores: Trastorno del Espectro Autista; Rehabilitación; Grupo de Atención al
Paciente; Inclusión Social; Salud Pública.
ACESSO ABERTO https://revista.cejam.org.br
2
Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650052
INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição
caracterizada por desafios na comunicação, interação social e pela
presença de padrões de comportamento repetitivos(1-2). Segundo
estimativas da Rede de Monitoramento de Autismo e Deficiências
do Desenvolvimento do Centro de Controle e Prevenção de
Doenças (Centers for Disease Control and Prevention - CDC), que
acompanha sistematicamente a prevalência do TEA,
aproximadamente uma em cada 36 crianças foi identificada com
o transtorno. Os dados indicam que a prevalência global mais do
que dobrou em 12 anos(3).
O TEA tem causado grandes impactos na vida dos indivíduos
afetados e suas famílias, com um aumento significativo no
número de diagnósticos nos últimos anos. Esse crescimento está
relacionado à ampliação dos critérios diagnósticos, maior
conscientização e diagnóstico precoce. A abordagem
multiprofissional, incluindo terapias comportamentais e
farmacológicas, é fundamental no tratamento. Contudo, desafios
no diagnóstico precoce e falta de informações adequadas ainda
são obstáculos para uma intervenção eficaz, sendo necessário um
envolvimento contínuo da comunidade científica e dos
profissionais de saúde para promover a inclusão e o bem-estar
das pessoas com TEA(4).
O Brasil ainda carece de informações detalhadas sobre a
quantidade de pessoas autistas e sua distribuição no território
nacional. Embora se estime que haja cerca de dois milhões de
indivíduos com TEA, esse número não é oficialmente reconhecido.
Para suprir essa lacuna, a Lei 13.861, sancionada em 2019,
determinou que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
incluísse o TEA no censo populacional. O levantamento,
inicialmente previsto para 2020, foi adiado para 2022 devido à
pandemia de COVID-19. Pela primeira vez, o censo considerou a
população autista em suas estatísticas, abrangendo tanto aqueles
com diagnóstico formal quanto pessoas que apresentam sinais do
transtorno, mas ainda não receberam uma avaliação conclusiva(5).
No contexto das políticas públicas, um avanço significativo
ocorreu com a Lei 12.764, de 2012, que reconheceu o TEA
como uma deficiência. Esse marco legal redefiniu a abordagem
dos serviços de saúde e reabilitação, ampliando a inclusão e a
oferta de suporte especializado. Com isso, o Sistema Único de
Saúde passou a enfrentar novos desafios, como a necessidade de
qualificar profissionais para atender essa população de maneira
mais adequada e acessível(6).
No Brasil, os Centros Especializados em Reabilitação (CER)
desempenham um papel fundamental na avaliação e reabilitação
de pessoas com deficiência, incluindo aquelas com suspeita de
TEA. Um estudo realizado em um CER do Sul do país analisou 685
prontuários de crianças de zero a 12 anos avaliadas entre 2014 e
2017. Os resultados mostraram que a média de idade das crianças
era de 5,47 anos, sendo 83,8% do sexo masculino. Os principais
motivos de encaminhamento foram déficits de linguagem (58,8%)
e comportamentos externalizantes (56,9%). Apenas 30,1% das
crianças tiveram o diagnóstico de TEA confirmado, e o
instrumento mais utilizado nas avaliações foi o Autism Behavior
Checklist (ABC), aplicado em 70,5% dos casos(7).
Um estudo em centros de referência de João Pessoa (PB)
analisou crianças diagnosticadas após os 36 meses e revelou que
o diagnóstico tardio está ligado a dificuldades na socialização,
alfabetização e fala, além de prejuízos na atenção e concentração,
o estudo aponta que a falta de suspeita precoce por profissionais
de saúde destaca a necessidade de maior capacitação e reforça a
importância do diagnóstico precoce e das intervenções
terapêuticas para reduzir impactos no desenvolvimento infantil(8).
Diante disso, este estudo tem como objetivo descrever o
protocolo de atendimento interdisciplinar implementado em um
CER para a pessoa com TEA, enfatizando as práticas de
intervenção precoce e a participação ativa das famílias no
processo terapêutico.
MÉTODO
Desenho e Cenário
Estudo descritivo, de natureza qualitativa, baseado na análise
documental do protocolo institucional de atendimento a pessoas
com TEA no CER. O CER é unidade de referência em reabilitação
multiprofissional, inserida na rede pública de saúde paulistana.
O estudo foi subsidiado pela observação participante das
autoras a respeito do escopo de atendimento aos usuários com
diagnóstico ou suspeita de TEA, e pelos profissionais de saúde que
participam diretamente do atendimento e acompanhamento
desses usuários. A observação envolveu os participantes que
estiveram em atendimento no período de coleta de dados e que
atenderam aos critérios de inclusão definidos para atendimento
do TEA, como idade compatível com os serviços de reabilitação
ofertados e presença de registro ativo no sistema do CER.
Coleta de Dados
A análise documental abrangeu o protocolo institucional
vigente, incluindo sua estrutura organizacional, fluxos
assistenciais, critérios de elegibilidade para atendimento,
modalidades terapêuticas disponíveis e articulação intersetorial
com outros serviços da rede de atenção à saúde.
Análise dos Dados
Os dados foram sistematizados e organizados em categorias
temáticas, permitindo a descrição da estrutura do atendimento,
da dinâmica das intervenções terapêuticas e dos desafios e
potencialidades do modelo assistencial adotado.
RESULTADOS
Estrutura do Atendimento
O protocolo do CER estabelece um fluxo estruturado para a
assistência à pessoa com TEA, contemplando os seguintes eixos:
1. Processo Diagnóstico: Avaliação interdisciplinar com
profissionais de diversas áreas, incluindo neurologia,
fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia.
2. Intervenção Precoce: Atendimento especializado para
crianças de 0 a 3 anos com risco psíquico, visando minimizar
impactos no desenvolvimento.
3. Reabilitação: Organização de atendimentos em grupo
conforme a faixa etária, promovendo interação social e ampliação
do repertório de habilidades.
4. Suporte Familiar: Realização de encontros periódicos
com familiares para orientação e apoio no manejo do TEA no
contexto social.
5. Articulação em Rede: Encaminhamento dos usuários
para outros serviços da rede de saúde, educação e assistência
social, garantindo continuidade do cuidado.
ACESSO ABERTO https://revista.cejam.org.br
3
Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650052
Processo de Avaliação Inicial
A realização da avaliação inicial, seja por encaminhamento
externo ou interno, tem como objetivo levantar a queixa pela
equipe multiprofissional, por meio da aplicação de um roteiro de
avaliação estruturado. A partir das demandas e queixas relatadas,
e considerando o contexto do paciente e sua família, a equipe
realiza o direcionamento dentro do serviço, podendo seguir um
dos três eixos:
Processo diagnóstico;
Intervenção precoce para risco psíquico;
Reabilitação.
Processo Diagnóstico
O processo diagnóstico de pacientes com suspeita de TEA ou
que necessitem de diagnóstico diferencial envolve o
acompanhamento por, no mínimo, três categorias profissionais. A
avaliação multiprofissional ocorre em grupo e/ou individualmente,
com um mínimo de quatro sessões. Além disso, é realizada a
solicitação ou o agendamento de relatório escolar e
matriciamento, geralmente em uma sessão.
A avaliação neuropediátrica inclui duas consultas, enquanto
encaminhamentos para investigação, como oftalmologia, saúde
auditiva e exames complementares, são solicitados conforme a
necessidade. Após a realização desses procedimentos, uma
discussão de caso para a produção do laudo multiprofissional,
etapa que exige ao menos uma sessão.
Vale ressaltar que pacientes com suspeita de TEA podem ser
inseridos na reabilitação antes do fechamento do diagnóstico,
sendo posteriormente reencaminhados para a rede conforme
necessário.
Intervenção Precoce
A intervenção precoce em bebês de 0 a 3 anos com sinais de
risco psíquico é essencial para a saúde mental na primeira
infância. A identificação de dificuldades no desenvolvimento
psíquico e relacional demanda uma abordagem interdisciplinar,
com participação mínima de duas categorias profissionais,
incluindo a psicologia.
O processo inicia-se com a discussão do caso em equipe,
permitindo uma visão ampliada. Em seguida, realiza-se uma
avaliação familiar para compreender a dinâmica relacional e
fatores influentes no desenvolvimento infantil. Com base nisso,
elabora-se Plano Terapêutico Singular (PTS), que pode incluir
atendimentos individuais ou em grupo, com duração variável e
reavaliações periódicas.
O acompanhamento envolve discussões regulares sobre a
evolução do bebê, podendo resultar em ajustes na estratégia,
manutenção do tratamento ou alta. A família tem papel central,
participando de devolutivas estruturadas em momentos-chave.
Esse modelo busca minimizar impactos no desenvolvimento
infantil e fortalecer o vínculo familiar, promovendo um ambiente
favorável ao crescimento emocional e social.
Reabilitação da Pessoa com TEA
O processo de reabilitação para pessoas com TEA no Centro
Especializado em Reabilitação é estruturado, prioritariamente, em
atendimentos em grupo, que podem contar com até cinco
pacientes. No entanto, quando dificuldades comportamentais
significativas que inviabilizem a participação inicial no
atendimento compartilhado, o paciente pode ser inserido
temporariamente no atendimento individual. Esse formato tem
como um dos principais objetivos promover, posteriormente, a
inclusão do paciente em grupo.
O PTS orienta tanto os atendimentos individuais quanto os
atendimentos compartilhados em grupo. Desde o início do
processo, são estabelecidas previsões de alta, definidas em
conjunto com o paciente e sua família. A cada 12 sessões, os
objetivos terapêuticos são reavaliados. Esse protocolo segue as
Diretrizes para a Organização das Ações de Reabilitação na Rede
de Cuidados à Pessoa com Deficiência (2022), que orienta que
neste ponto de atenção (CER) a intervenção deve ter duração
determinada conforme alcance dos objetivos terapêuticos
estabelecidos e revisados no PTS.
O protocolo de atendimento ao TEA no CER estrutura-se a
partir de um modelo interprofissional e compartilhado, garantindo
um olhar ampliado para a singularidade de cada sujeito. A
organização dos atendimentos em faixas etárias permite a
construção de estratégias terapêuticas voltadas para o
desenvolvimento das funcionalidades e potencialidades
individuais. Esse modelo, além de integrar diversas áreas do
conhecimento, possibilita um espaço terapêutico que favorece a
interação social, a autonomia e a comunicação, aspectos
fundamentais na reabilitação de pessoas com TEA. Eles estão
descritos a seguir:
PUPA (2 a 5 anos): Foco na comunicação, interação social e
autonomia inicial, por meio do brincar simbólico e funcional.
Atividades: música, brincar, seletividade alimentar e jogos
corporais.
LAGARTA (6 a 9 anos): Desenvolvimento de habilidades
sociais e manuais, resolução de problemas e independência nas
Atividades de Vida Diária (AVDs) e Atividades Instrumentais da
Vida Diária (AIVDs). Atividades: culinária infantil, horta e
funcionalidade.
CASULO (10 a 13 anos): Ênfase na percepção corporal,
habilidades sociais e emocionais, além da autonomia nas tarefas
diárias. Atividades: culinária, grupo de pré-adolescentes e
artesanato.
METAMORFOSE (14 a 17 anos): Desenvolvimento da
identidade, autonomia e relações sociais, com foco na resolução
de problemas complexos. Atividades: grupos de adolescentes e
oficina culinária.
BORBOLETA (18 a 30 anos): Preparação para a inserção no
mercado de trabalho, fortalecimento da autonomia e
empoderamento pessoal.
Ferramenta de Avaliação
O monitoramento da evolução dos pacientes durante o
processo de reabilitação é realizado por meio do Índice de
Funcionalidade Brasileiro Modificado (IFBr-M), instrumento oficial
adotado pelo Governo Brasileiro para avaliação da deficiência.
Reconhecido pela Resolução 01, de 05 de março de 2020, do
Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o IFBr-
M é fundamentado no modelo psicossocial da deficiência, que
compreende a funcionalidade como resultado da interação entre
as condições de saúde do indivíduo e os fatores ambientais e
sociais que o cercam.
Diferente de modelos puramente biomédicos, que se
concentram apenas nas limitações físicas ou cognitivas, o IFBr-M
amplia a avaliação ao considerar funções corporais, nível de
independência para a realização de atividades, grau de
participação na sociedade e as barreiras enfrentadas no dia a dia.
Esse enfoque possibilita um olhar mais abrangente sobre as
necessidades do paciente, permitindo que o PTS seja ajustado de
forma mais precisa e eficaz ao longo do processo de reabilitação.
Além disso, o IFBr-M fornece parâmetros objetivos para a equipe
ACESSO ABERTO https://revista.cejam.org.br
4
Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650052
multiprofissional, auxiliando na tomada de decisões sobre
intervenções, adaptações necessárias no ambiente e estratégias
para promoção da autonomia.
Acompanhamento da Família
A participação familiar é essencial no diagnóstico e reabilitação
de bebês e crianças com risco psíquico ou TEA. Desde o início, a
família é envolvida por meio de escuta ativa, considerando suas
percepções e angústias, o que permite uma compreensão
ampliada do contexto.
Durante a reabilitação, os cuidadores recebem
acompanhamento para entender o impacto do diagnóstico e
desenvolver estratégias para favorecer o desenvolvimento infantil
e a inclusão social. Reuniões bimestrais com a equipe
multiprofissional possibilitam trocas entre famílias, ajustes no PTS
e alinhamento de estratégias conforme a evolução da criança.
Essa abordagem fortalece o papel da família como parceira ativa
no processo, garantindo que os avanços terapêuticos se
sustentem no cotidiano da criança.
Atuação em Rede
O atendimento da pessoa com TEA não se limita às terapias
no serviço de reabilitação, mas deve estar articulado a outros
pontos da rede, envolvendo saúde, educação, cultura, lazer e
esporte. Dessa forma, o protocolo reforça que a reabilitação não
deve restringir o sujeito a um espaço clínico, mas sim possibilitar
sua circulação e participação social em diferentes contextos.
Portanto, além do encaminhamento e orientação para
equipamentos da rede, são oferecidas orientações e atuações
para que o sujeito com TEA e a família ampliem suas práticas para
espaços da comunidade, onde a reabilitação auxilia promovendo
atividades externas como passeios, visitas a parques, centros
culturais, espaços esportivos e outros ambientes públicos. Essas
ações permitem que tanto o paciente quanto sua família
conheçam o território, se apropriem dos recursos disponíveis e
compreendam que a deficiência não deve ser um fator de exclusão
social, mas sim um aspecto a ser considerado na construção de
uma vida ativa e participativa.
Essa abordagem favorece o desenvolvimento da autonomia,
amplia as possibilidades de socialização e fortalece a construção
de uma rede de suporte que vai além do serviço de saúde,
garantindo uma inserção mais ampla da pessoa com TEA na
sociedade.
DISCUSSÃO
Os resultados apresentados demonstram a estruturação do
atendimento ao TEA no CER, evidenciando um modelo
interprofissional e compartilhado, com foco na funcionalidade e na
qualidade de vida dos pacientes. A organização do protocolo de
atendimento, desde a fase diagnóstica até a reabilitação e a
transição para a vida adulta, reflete uma abordagem que integra
diferentes dimensões do cuidado, indo além de uma perspectiva
meramente clínica. Esse modelo alinha-se a autores e
documentos internacionais, como o “Marco para Ação em
Educação Interprofissional e Prática Colaborativa” da OMS(9),
ressaltam que a prática colaborativa em saúde fortalece a eficácia
dos serviços, pois envolve profissionais que, ao trabalharem
juntos, complementam seus saberes e ampliam os resultados
terapêuticos.
De acordo com Beauchemin et al. (2019)(10), a implementação
de diretrizes clínicas na prática assistencial é um processo
complexo que requer a integração entre evidências científicas,
contexto institucional e engajamento dos profissionais. A
literatura destaca que, mesmo diante da ampla disponibilidade de
protocolos baseados em evidências, os resultados esperados em
qualidade assistencial nem sempre são alcançados, devido a
barreiras como resistência à mudança, falta de treinamento e
limitações estruturais nos serviços de saúde.
Chacarolli et al. (2023)(11), ressaltam que a produção de
diretrizes resumidas representa uma importante estratégia de
tradução do conhecimento, permitindo que protocolos clínicos
sejam efetivamente incorporados à rotina dos serviços de saúde.
Essa abordagem tem contribuído para a disseminação de boas
práticas e para o fortalecimento da atenção integral às pessoas
com TEA, especialmente em situações que envolvem
comportamentos agressivos, comunicação e socialização.
A intervenção precoce é amplamente reconhecida como um
fator determinante para minimizar os impactos do TEA no
desenvolvimento infantil. Estudos demonstram que abordagens
iniciadas na primeira infância, como o Early Start Denver Model,
resultam em melhorias significativas na comunicação e nas
habilidades adaptativas das crianças com TEA(12). Ademais, dados
do CDC(3) ressaltam que o diagnóstico e a intervenção precoces
possibilitam maior integração social e redução das barreiras
funcionais na vida adulta. No Brasil, a inclusão da família no
processo terapêutico é destacada como uma necessidade de
integração entre os setores da saúde e da educação para garantir
uma abordagem mais ampla e inclusiva(13).
O atendimento interdisciplinar é outro pilar essencial do
modelo de reabilitação adotado pelo CER. A literatura
internacional enfatiza a importância da colaboração entre
diferentes especialidades para otimizar os resultados
terapêuticos, ao qual discutem a relevância de padrões para a
colaboração interprofissional no tratamento do TEA, reforçando
que a integração de psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas
ocupacionais e médicos melhora significativamente os desfechos
dos pacientes(14). No contexto nacional, autores demonstram que
a prática colaborativa na saúde fortalece a eficácia dos serviços,
pois permite que diferentes profissionais complementem seus
saberes, resultando em diagnósticos mais precisos e terapias mais
eficazes(15).
A articulação em rede é fundamental para garantir a
continuidade do cuidado e promover a inclusão social. No estudo
sobre a organização do trabalho nos CERs da cidade de São
Paulo(16), observa-se que, apesar das diretrizes municipais e
nacionais, cada unidade estrutura seus serviços de maneira
singular, refletindo os desafios da integração entre os
profissionais, as demandas locais e a rede de atenção à saúde. A
ausência de espaços formais para discussão de casos e
planejamento de ações compromete a efetividade do cuidado
interprofissional. Isso reforça a importância de iniciativas como as
reuniões bimestrais com familiares no CER, que possibilitam uma
melhor compreensão do processo terapêutico e promovem o
engajamento da família na reabilitação.
A utilização do IFBr-M no acompanhamento dos pacientes
representa um avanço na avaliação da reabilitação, pois permite
considerar não apenas aspectos clínicos, mas também barreiras
sociais e ambientais. Esse modelo de avaliação está alinhado a
abordagens internacionais que buscam integrar a funcionalidade
do indivíduo ao contexto social, ampliando a compreensão dos
desafios enfrentados por pessoas com TEA e possibilitando ajustes
mais eficazes no PTS.
ACESSO ABERTO https://revista.cejam.org.br
5
Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650052
A reabilitação antes da conclusão diagnóstica reforça a
intervenção precoce, minimizando impactos no desenvolvimento
infantil e promovendo acompanhamento interprofissional desde
os primeiros anos. O envolvimento das famílias é essencial para
melhores resultados terapêuticos, com o PTS sendo ajustado
conforme a evolução do paciente. O atendimento em grupo
favorece a interação social e o desenvolvimento de habilidades,
enquanto a estrutura por faixas etárias permite uma abordagem
progressiva, respeitando as necessidades de cada fase, da
infância à vida adulta(17).
Além disso, os grupos terapêuticos oferecem um ambiente
seguro e estruturado para que crianças com autismo pratiquem
comportamentos sociais, o que contribui para a redução de
comportamentos desafiadores e o fortalecimento da
autoestima(18). Essas intervenções não só possibilitam a prática e
o reforço de competências individuais, mas também fomentam a
troca de experiências entre os participantes, criando uma rede de
apoio que pode potencializar a autonomia e a integração social
dos pacientes.
A permanência na reabilitação segue diretrizes baseadas na
revisão periódica dos objetivos terapêuticos, garantindo que o
atendimento seja focado nas necessidades reais do paciente e
evitando a dependência prolongada de serviços especializados.
Esse aspecto está em consonância com princípios de reabilitação
baseados na funcionalidade e na inclusão social, priorizando a
transição para atividades e serviços comunitários.
Dessa forma, observa-se que o processo de implementação de
protocolos clínicos no atendimento ao TEA no CER vai além da
simples adesão a recomendações técnicas. Ele requer
capacitação contínua da equipe, suporte institucional,
acompanhamento dos resultados e revisão periódica das
práticas adotadas, em consonância com os princípios da
atenção baseada em evidências. A articulação entre políticas
públicas e práticas clínicas favorece o cuidado integral,
humanizado e centrado nas necessidades da pessoa com TEA e
sua família.
CONCLUSÃO
O protocolo de atendimento interdisciplinar do CER tem se
consolidado como uma estratégia fundamental para a assistência
qualificada a pessoas com TEA, possibilitando intervenções
terapêuticas estruturadas e um suporte contínuo às famílias. A
articulação entre diferentes especialidades permite um olhar
ampliado sobre o desenvolvimento dos usuários, garantindo
abordagens mais integradas e eficazes. Além disso, a
padronização dos fluxos assistenciais e o fortalecimento da rede
de atenção ampliam as oportunidades de inclusão social,
promovendo maior autonomia e qualidade de vida para os
pacientes.
Os resultados obtidos demonstram a importância da
continuidade e do aprimoramento das estratégias institucionais,
com investimentos em capacitação profissional, ampliação do
acesso e fortalecimento da rede de suporte às famílias. Dessa
forma, assegura-se não apenas a manutenção da qualidade do
atendimento, mas também a expansão do impacto positivo desse
modelo de cuidado, favorecendo a construção de um sistema de
reabilitação mais eficiente e humanizado.
CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES
Transparência na contribuição dos autores segundo a
Taxonomia CRediT.
Conceitualização
Ana Paula Ribeiro Hirakawa
Curadoria de dados
Não aplicável
Análise formal
Não aplicável
Aquisição de financiamento
Não aplicável
Investigação
Não aplicável
Metodologia
Ana Paula Ribeiro Hirakawa
Administração do projeto
Ana Paula Ribeiro Hirakawa; Karla Dias Tomazella
Recursos
Não aplicável
Software
Não aplicável
Supervisão
Não aplicável
Validação
Ana Paula Ribeiro Hirakawa; Karla Dias Tomazella;
Suzi Mary Simões
Visualização
Ana Paula Ribeiro Hirakawa; Karla Dias Tomazella
Escrita - esboço original
Ana Paula Ribeiro Hirakawa
Escrita - revisão e edição
Ana Paula Ribeiro Hirakawa; Karla Dias Tomazella;
Suzi Mary Simões
DECLARAÇÕES
Conflitos de interesse
Não aplicável
Financiamento
Não aplicável
Aprovação ética
Não aplicável
Agradecimentos
Não aplicável
Preprint
Não aplicável
Inteligência Artificial
Não aplicável
REFERÊNCIAS
1. American Psychiatric Association (APA). Manual diagnóstico e
estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5.ed. Porto Alegre: Artmed;
2014.
2. Girianelli VR, Tomazelli J, Silva CMFP da, Fernandes CS. Diagnóstico
precoce do autismo e outros transtornos do desenvolvimento, Brasil,
20132019. Rev. saúde pública [Internet]. 30º de março de 2023
[citado 18 de março de 2025];57(1): 21. Disponível em:
https://www.revistas.usp.br/rsp/article/view/210325.
3. Centers for disease control and prevention (CDC) [Internet]. Data &
Statistics on Autism Spectrum Disorder (ASD). Atlanta (EUA); 2024
[revisado em 16 de março de 2024; citado em 18 de março de 2025].
Disponível em: https://www.cdc.gov/ncbddd/autism/data.html.
4. Medeiros de Carvalho WM et al. Os Transtorno do Espectro Autista:
Desafios Diagnósticos, Fatores Etiológicos e Estratégias Terapêuticas.
Braz. J. Implantol. Health Sci. 2025; 7 (2): 1247-6. Disponível em:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n2p1247-1267.
5. Silva AB. Censo também vai levantar informações sobre autismo
[Internet]. São Paulo: Portal Lunetas; 2022 [revisado em 1 de fevereiro
de 2022; citado em 18 de março de 2025]. Disponível em:
https://telessaude.fiocruz.br/2022/02/01/censo-tambem-vai-levantar
informacoes-sobre-autismo/.
6. Silveira LS, Rodrigues LAF. O sujeito autista na Rede SUS:
(im)possibilidade de cuidado. Fractal, Rev. Psicol. [Internet]. 30º de
julho de 2019 [citado 17 de março de 2025];31(2):119-2. Disponível
em: https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/5635.
7. Rocha CC, Souza SMV, Costa AF, Portes JRM. O perfil da população
infantil com suspeita de diagnóstico de transtorno do espectro autista
atendida por um Centro Especializado em Reabilitação de uma cidade
do Sul do Brasil. Physis [Internet]. 2019; [citado 17 de março de
2025]; 29(4):e290412. Disponível em:
https://doi.org/10.1590/S0103-73312019290412.
8. Abrantes EE, Silva AKA da, Ramalho MA de O, Guedes TAL. Impactos
do diagnóstico tardio no desenvolvimento cognitivo e psicossocial em
pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Braz. J. Hea. Rev.
[Internet]. 2025 [revisado em 14 de Janeiro de 2025; citado em 6 de
março de 2025];8(1):e76776. Disponível em:
https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/
76776.
ACESSO ABERTO https://revista.cejam.org.br
6
Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650052
9. OMS. Organização Mundial da Saúde. Marco para ação em educação
interprofissional e prática colaborativa. Genebra: 2010.
10. Beauchemin M, Cohn E, Shelton RC. Implementation of clinical practice
guidelines in the healthcare setting: A concept analysis. Adv Nurs Sci.
2019;42(4):30724.
11. Chacarolli CFT, et al. Implementação de protocolos clínicos ou diretrizes
terapêuticas no Brasil: diretrizes resumidas. Brasília: Ministério da
Saúde; 2023.
12. Dawson G, Rogers S, Munson J, et al. Randomized, controlled trial of
an intervention for toddlers with autism: the Early Start Denver Model.
Pediatrics. 2010;125(1):e17e23. DOI: 10.1542/peds.2009-0958.
13. Santos M, Pereira L. Abordagem interdisciplinar no atendimento às
pessoas com transtorno do espectro autista: desafios e perspectivas.
Rev Bras Educ Especial. 2020;26(3):345-359. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/rbee/a/fGBkVn4HXkWCPXpJFS4pGzD/abstract
/?lang=pt.
14. Bowman MJ, et al. Standards for Interprofessional Collaboration in the
Treatment of Autism Spectrum Disorder. 2021. Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8586309/.
15. Peduzzi M, Agreli, HF. Trabalho em equipe e prática colaborativa na
Atenção Primária à Saúde. Interface. 2018; 22 (supl 2): 1525-1534,
2018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1807-57622017.0827.
16. Nunes D, Schmidt C, Nunes Sobrinho FP. Transtorno do Espectro
Autista: Proposições das políticas públicas às práticas baseadas em
evidências. Arq Analíticos de Pol Educativas. 2021;29 (77). DOI:
10.14507/epaa.29.5993.
17. Bea Gates, JA, Kang, E, Lerner, MD. Efficacy of group social skills
interventions for youth with autism spectrum disorder: A systematic
review and meta-analysis. Clin Psychol Rev. 2017; (52): 164181.
Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.cpr.2017.01.006.
18. Kasari, C, Gulsrud, A, Freeman, S, Paparella, T, Hellemann, G. (2012).
Longitudinal follow-up of children with autism receiving targeted
interventions on joint attention and play. J Am Acad Adolesc Psyciatry.
2012; 51(5): 487495. Disponível em:
https://doi.org/10.1016/j.jaac.2012.02.019.