Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650050
ACESSO ABERTO
Autoria
Luciana de Souza Lima1
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4569-9172
Bruna Lopes Cardoso dos Santos2
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4923-644X
Thalita Padovan2
ORCID: https://orcid.org/0009-0003-4165-5943
Thais Caroline Barreiros Cintra2
ORCID: https://orcid.org/0009-0001-3673-5426
Wilson Jose Bevilaqua2
ORCID: https://orcid.org/0009-0000-8007-1666
Cindy Maria de Castro Monteiro2
ORCID: https://orcid.org/0009-0001-5919-1644
Rafael Braga Esteves2*
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4604-6840
*Correspondente: rafael.braga.esteves@alumni.usp.br
Instituição
¹Hospital Regional de Assis, CEJAM, Assis, SP, Brasil.
2Instituto Estadual de Psiquiatria e Saúde Mental, HCFMRP-
USP, FAEPA, Ribeirão Preto, SP, Brasil.
Como citar este artigo • Direitos autorais©
Lima LS, Santos BLC, Padovan T, Cintra TCB, Bevilaqua WJ,
Monteiro CMC, Esteves RB. Além da Norma: Contribuição para
a Implementação Inicial da Norma Regulamentadora 1 e o
Fortalecimento da Segurança Psicológica na Enfermagem. Rev.
Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650050. DOI:
https://doi.org/10.59229/2764-9806.RTCC.e202650050.
Editores
Abel Silva de Meneses Editor Chefe
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1632-2672
André Ramalho Editor Científico
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8099-3043
Submetido Aceito
31-08-2025 20-10-2025
Relato de Experiência
Além da Norma: Contribuição para a Implementação Inicial
da Norma Regulamentadora 1 e o Fortalecimento da
Segurança Psicológica na Enfermagem
Beyond the Standard: Contribution to the Initial Implementation of
Regulatory Standard 1 and the Strengthening of Psychological Safety
in Nursing
Más Allá de la Norma: Contribución a la Implementación Inicial de la
Norma Reguladora 1 y al Fortalecimiento de la Seguridad Psicológica
en Enfermería
Resumo
Objetivo: Descrever a estratégia de inovação aplicada como contribuição para a
implementação inicial das diretrizes de riscos psicossociais da Norma Regulamentadora 1
(NR-1) em um hospital psiquiátrico, utilizando a Semana da Enfermagem como um
catalisador para a construção da segurança psicológica e da justiça organizacional. Método:
Relato de experiência, orientado pela diretriz SQUIRE 2.0, sobre a iniciativa "Cuidando de
quem cuida". A experiência envolveu a oferta de atividades voluntárias (grupo terapêutico,
auriculoterapia, yoga) e a análise qualitativa da receptividade da equipe (N=86) por meio
de observação participante e feedback espontâneo. Resultados: A iniciativa obteve alta
adesão (105 participações), com destaque para a auriculoterapia (29,1%) e o grupo
terapêutico (17,4%). Este último consolidou-se como um espaço seguro para a partilha de
estressores laborais (sobrecarga, violência), sendo percebido como um gesto de cuidado
organizacional. Conclusão: A estratégia demonstrou ser uma via humanizada e eficaz para
iniciar a adequação à NR-1. Ao transformar uma exigência normativa em uma oportunidade
para fortalecer a segurança psicológica, a experiência representa um modelo de inovação
com impacto direto na qualidade do cuidado.
Descritores: Saúde Ocupacional; Risco Ocupacional; Gestão de Riscos; Enfermagem
Psiquiátrica.
Abstract
Objective: To describe the innovation strategy applied as a contribution to the initial
implementation of the psychosocial risk guidelines of Regulatory Standard 1 (RS-1) in a
psychiatric hospital, using Nursing Week as a catalyst for building psychological safety and
organizational justice. Method: An experience report, guided by the SQUIRE 2.0 directive,
on the "Caring for the Caregiver" initiative. The experience involved offering voluntary
activities (therapeutic group, auriculotherapy, yoga) and a qualitative analysis of the team's
receptiveness (N=86) through participant observation and spontaneous feedback. Results:
The initiative achieved high adherence (105 participations), with auriculotherapy (29.1%)
and the therapeutic group (17.4%) being the highlights. The latter was consolidated as a
safe space for sharing work-related stressors (overload, violence), perceived as an act of
organizational care. Conclusion: The strategy proved to be a humanized and effective way
to begin compliance with RS-1. By turning a regulatory requirement into an opportunity to
strengthen psychological safety, the experience represents an innovation model with a direct
impact on the quality of care.
Descriptors: Occupational Health; Occupational Risks; Risk Management; Psychiatric
Nursing.
Resumen
Objetivos: Describir la estrategia de innovación aplicada como contribución a la
implementación inicial de las directrices sobre riesgos psicosociales de la Norma Reguladora
1 (NR-1) en un hospital psiquiátrico, utilizando la Semana de la Enfermería como catalizador
para la construcción de la seguridad psicológica y la justicia organizacional. Método: Relato
de experiencia, orientado por la directriz SQUIRE 2.0, sobre la iniciativa “Cuidando de
quienes cuidan”. La experiencia consistió en la oferta de actividades voluntarias (grupo
terapéutico, auriculoterapia, yoga) y el análisis cualitativo de la receptividad del equipo
(N=86) mediante la observación participante y el feedback espontáneo. Resultados: La
iniciativa obtuvo una alta participación (105 participaciones), destacando la auriculoterapia
(29,1 %) y el grupo terapéutico (17,4 %). Este último se consolidó como un espacio seguro
para compartir los factores estresantes del trabajo (sobrecarga, violencia), y se percibió
como un gesto de cuidado organizacional. Conclusión: La estrategia demostró ser una vía
humanizada y eficaz para iniciar la adaptación a la NR-1. Al transformar un requisito
normativo en una oportunidad para fortalecer la seguridad psicológica, la experiencia
representa un modelo de innovación con impacto directo en la calidad de la atención.
Descriptores: Salud Laboral; Riesgos Laborales; Gestión de Riesgos; Enfermería
Psiquiátrica.
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Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650050
INTRODUÇÃO
A premissa de que o bem-estar do profissional de saúde é um
componente indissociável da segurança e da qualidade da
assistência ao paciente está solidamente estabelecida na
literatura científica. Longe de ser uma questão "branda" ou
secundária, a saúde mental do cuidador emerge como um pilar
fundamental para a resiliência dos sistemas de saúde(1).
Evidências robustas, consolidadas em revisões sistemáticas e
meta-análises, demonstram uma correlação direta e inequívoca:
o esgotamento profissional (burnout) em equipes de enfermagem
está associado a piores indicadores de segurança, incluindo
maiores taxas de erros de medicação, quedas de pacientes,
infecções nosocomiais e, consequentemente, menor satisfação
dos pacientes com o cuidado recebido(2-4). Cuidar de quem cuida,
portanto, não é um objetivo humanitário isolado, mas uma
estratégia central para a excelência clínica.
Este axioma adquire uma urgência particular no contexto da
enfermagem psiquiátrica. Neste campo, os profissionais estão
imersos em um ambiente de complexidade emocional e riscos
psicossociais inerentes, configurando um verdadeiro paradoxo do
cuidado. Aqueles que dedicam suas vidas a tratar o sofrimento
psíquico da população estão, eles mesmos, expostos a uma
constelação única de estressores, como a sobrecarga crônica de
trabalho, a escassez de recursos humanos e, notadamente, a
ameaça constante de violência física e verbal(5). Este cenário de
vulnerabilidade acentuada potencializa o desenvolvimento de
quadros de burnout, fadiga por compaixão e estresse pós-
traumático, comprometendo não apenas a saúde do trabalhador,
mas também a sua capacidade de estabelecer relações
terapêuticas eficazes.
Em resposta a essa conjuntura, a legislação brasileira avançou
com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), vide
Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego (TEM)
1.419/2024(6), que passou a exigir das organizações a inclusão
explícita dos fatores de riscos psicossociais no Gerenciamento de
Riscos Ocupacionais (GRO), esta exigência foi prorrogada para
2026, de acordo com a Portaria MTE 765/2025(7). Tais riscos
são definidos como aspectos da concepção, organização e gestão
do trabalho que possuem o potencial de causar danos psicológicos
ou físicos(8). Embora represente um marco regulatório, a NR-1
impõe um desafio de implementação formidável. A diretriz
estabelece "o que" deve ser feito, mas deixa uma lacuna sobre
"como" fazê-lo de forma eficaz e humanizada, especialmente em
ambientes de alta complexidade como os hospitais psiquiátricos.
O objetivo deste estudo é descrever a estratégia de inovação
aplicada como contribuição para a implementação inicial das
diretrizes sobre fatores psicossociais da NR-1 em um hospital
psiquiátrico, utilizando a Semana da Enfermagem como um
evento catalisador para a construção de uma cultura de segurança
psicológica e discutir o potencial dessa abordagem como um
modelo replicável para a transformação do cuidado ao cuidador.
MÉTODO
Tipo de Estudo
Trata-se de um relato de experiência de inovação aplicada,
com natureza descritiva e qualitativa. Para garantir o rigor
metodológico e a transparência do relato, a redação deste
manuscrito seguiu a diretriz internacional Standards for Quality
Improvement Reporting Excellence (SQUIRE 2.0 - Versão em
Português do Brasil)(9). O uso desta diretriz faz parte das
recomendações da Equator Network para adequação de estudos
e melhoria da qualidade de publicações de relato de experiência.
Cenário e Período de Realização da Experiência
A experiência foi desenvolvida em um hospital psiquiátrico
público de grande porte, gerido parcialmente pelo Centro de
Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim" (CEJAM), localizado em
um município de médio porte no interior do estado de São Paulo.
A instituição é uma referência no cuidado a pacientes do Sistema
Único de Saúde (SUS) com diversas psicopatologias. A
intervenção estratégica foi planejada e executada durante a
Semana da Enfermagem, ocorrendo no período de 12 a 23 de
maio de 2025.
Sujeitos Envolvidos na Experiência e os Aspectos Éticos
A população elegível para a participação, que ocorreu de forma
voluntária, consistiu em 86 profissionais da instituição. Este
contingente era composto por 70 membros da equipe de
enfermagem (17 enfermeiros e 53 técnicos de enfermagem) e 16
profissionais da equipe multiprofissional (incluindo psicólogos,
terapeutas ocupacionais e assistentes sociais).
A condução da experiência e a subsequente elaboração deste
relato foram pautadas por rigorosos preceitos éticos. Foi
assegurado o total anonimato dos participantes e a
confidencialidade da instituição, em alinhamento com as diretrizes
das Resoluções 466/2012 e nº 510/2016 do Conselho Nacional
de Saúde(10-11). Ainda, por se tratar de um relato de experiência
exitosa que emerge da prática profissional cotidiana e seguir
todas as recomendações da ética em pesquisa não foi necessária
a submissão para o comitê de ética em pesquisa com humanos.
Descrição da Experiência
A intervenção central foi a Semana da Enfermagem,
ressignificada sob o tema "Cuidando de quem cuida". O evento
transcendeu a tradicional comemoração para funcionar como um
vetor de mudança cultural. Foi oferecida uma programação
diversificada de atividades voluntárias, incluindo: Grupo
Terapêutico, Auriculoterapia, Quick Massage, Defesa Pessoal,
Yoga, Prática de Relaxamento, Dia da Beleza e Oficina do Cuidado.
Análise dos Dados
As observações sobre a experiência foram coletadas de forma
qualitativa, por meio da observação participante dos membros da
comissão organizadora e do registro do feedback verbal
espontâneo dos participantes. A análise temática desses registros
foi utilizada para avaliar o engajamento e identificar os temas
emergentes. Para mitigar o viés de observação, foram adotadas
medidas de rigor qualitativo, como a Triangulação de Dados
(envolvendo observação, feedback espontâneo e dados de
adesão) e a Rastreabilidade (diretriz SQUIRE 2.0). Dado o
desenho de relato de experiência com natureza descritiva e
qualitativa, os desfechos principais analisados foram a adesão e o
impacto psicossocial percebido, sem a aplicação de análises
estatísticas inferenciais formais.
RESULTADOS
A Semana da Enfermagem "Cuidando de quem cuida" foi
recebida com notável engajamento pela equipe, validando a
premissa de que havia uma demanda latente por ações de cuidado
direcionadas aos profissionais. A adesão geral foi expressiva,
totalizando 105 participações ao longo do evento. Dado que os
colaboradores podiam se inscrever em mais de uma atividade,
este número, superior ao total de 86 funcionários elegíveis, reflete
um alto grau de interesse e envolvimento. A Tabela 1 detalha a
distribuição dessas participações, permitindo uma análise do
alcance de cada intervenção específica.
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Tabela 1 - Participação nas Atividades da Semana da
Enfermagem em Números Absolutos e Relativos entre as Equipes
Elegíveis (n=86), Hospital Psiquiátrico, Ribeirão Preto (SP), Brasil,
2025.
ATIVIDADE
n
(%)
Grupo Terapêutico
15
17,4%
Auriculoterapia
25
29,1%
Quick Massage
12
14,0%
Defesa Pessoal
11
12,8%
Yoga
10
11,6%
Prática de Relaxamento
10
11,6%
Dia da Beleza
9
10,5%
Oficina do Cuidado
13
15,1%
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
Nota: A coluna 'n' representa omero de participações em cada
atividade. A porcentagem (%) foi calculada com base no total de
86 funcionários elegíveis.
A análise qualitativa da receptividade, sumarizada no Quadro
1, revelou que, para além dos números, a iniciativa teve um
impacto profundo na percepção da equipe. A alta procura pela
auriculoterapia (29,1%) e pela Quick Massage (14,0%) aponta
para a necessidade de intervenções que ofereçam alívio
sintomático e imediato para o estresse físico e mental. O interesse
na aula de Defesa Pessoal (12,8%) reflete uma preocupação real
com a segurança física. Contudo, foi o Grupo Terapêutico (17,4%)
que emergiu como o dispositivo mais potente do ponto de vista
psicossocial, consolidando-se como um espaço seguro para a
partilha de estressores críticos como a sobrecarga de trabalho e o
medo da violência.
Quadro 1 - Matriz de Inovação Aplicada: Alinhamento entre
Intervenções, Riscos (NR-1), Hospital Psiquiátrico, Ribeirão Preto
(SP), Brasil, 2025.
Atividade
Risco
Psicossocial
(NR-1)
Abordado
Mecanismo de
Impacto
Psicológico
Mecanismo de
Impacto
Organizacional
Grupo
Terapêutico
Falta de
suporte/apoio
no trabalho;
Más relações
no trabalho;
Violência.
Fomento à
Segurança
Psicológica;
Validação de
experiências;
Desenvolvimento
de coping
coletivo.
Fortalecimento da
Justiça
Interpessoal e
Procedural;
Criação de canal
de escuta ativa.
Auriculoterapia
Excesso de
demandas
(sobrecarga);
Estresse
agudo.
Alívio sintomático
do estresse e
ansiedade;
Melhora do bem-
estar imediato.
Sinalização de
Cuidado
Organizacional;
Investimento no
bem-estar sico e
mental.
Defesa Pessoal
Eventos
violentos ou
traumáticos.
Aumento da
autoeficácia e
autoconfiança;
Redução da
percepção de
vulnerabilidade.
Reconhecimento
de riscos
específicos do
ambiente;
Empoderamento
da equipe.
Yoga
Relaxamento
Excesso de
demandas;
Baixo controle
sobre o
trabalho.
Desenvolvimento
de habilidades de
autorregulação;
Redução da
reatividade ao
estresse.
Promoção de
ferramentas de
autocuidado;
Investimento na
resiliência
individual.
Oficina do
Cuidado
Más relações
no trabalho;
Falta de
suporte/apoio.
Fortalecimento
de laços
interpessoais;
Promoção da
coesão da
equipe.
Melhoria do clima
organizacional;
Fortalecimento da
confiança
horizontal.
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
DISCUSÃO
A análise dos resultados transcende a mera contagem de
participações e revela a sofisticação estratégica da iniciativa. A
experiência representa um modelo de inovação aplicada por
articular, de forma inteligente, ações táticas com mecanismos de
transformação cultural profundos.
A literatura crítica sobre saúde ocupacional alerta para a
tendência do resilience washing: a prática de focar
exclusivamente em intervenções que visam aumentar a resiliência
individual, colocando sobre os trabalhadores o ônus de lidar com
problemas que são, na verdade, sistêmicos e organizacionais(12).
A estratégia aqui descrita se diferencia fundamentalmente
dessa armadilha. Embora tenha oferecido ferramentas para o
desenvolvimento de habilidades individuais (yoga, relaxamento),
o pilar central da intervenção foi a criação de um dispositivo
intrinsecamente sistêmico: o Grupo Terapêutico.
Este espaço o visava ensinar o indivíduo a "aguentar"
melhor o estresse, mas sim criar uma estrutura organizacional
para que os estressores fossem compartilhados, validados e
compreendidos coletivamente.
Ao fazer isso, a iniciativa sinalizou uma mudança de foco: do
reconhecimento da responsabilidade individual para o
reconhecimento da responsabilidade organizacional de criar um
ambiente de trabalho que seja, ele próprio, mais saudável e
psicologicamente sustentável.
A verdadeira inovação, portanto, não esteve nas atividades
isoladas, mas na combinação de intervenções de foco individual
com uma intervenção de foco sistêmico.
O sucesso e a profundidade das discussões no Grupo
Terapêutico podem ser compreendidos através do conceito de
segurança psicológica, a crença compartilhada de que o ambiente
é seguro para a tomada de riscos interpessoais(13). O Grupo
Terapêutico funcionou, na prática, como um laboratório para a
construção desse ativo organizacional.
Ao criar um espaço confidencial e livre de julgamentos, a
gestão ofereceu uma oportunidade para que os colaboradores
testassem a hipótese de que poderiam ser vulneráveis. Este
exercício prático de vulnerabilidade e acolhimento é o mecanismo
fundamental pelo qual a segurança psicológica é construída,
sendo uma pré-condição essencial para uma cultura de segurança
do paciente robusta(3).
A alta receptividade à iniciativa pode ser explicada, ainda, pela
percepção de justiça. A teoria da Justiça Organizacional postula
que as percepções dos funcionários sobre a justiça no local de
trabalho influenciam profundamente suas atitudes e confiança(14).
A iniciativa "Cuidando de quem cuida" ativou múltiplas
dimensões dessa justiça: a distributiva (ao investir no bem-estar),
a procedural (ao criar um processo transparente e um canal de
escuta) e a interpessoal (pelo tratamento com dignidade e
respeito). Esses atos de justiça organizacional funcionam como
um gesto de reparação do contrato psicológico, o conjunto de
expectativas o escritas entre empregado e empregador(15),
fortalecendo a confiança na liderança e o engajamento com a
instituição.
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Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650050
Limitações da Experiência
O presente estudo se trata de um relato de experiência inicial
e focado em uma única instituição, portanto os resultados
possuem baixa generalização.
A ausência de uma avaliação quantitativa pré e pós-
intervenção com escalas validadas, impede a mensuração
objetiva do impacto das ações e é considerada uma limitação
crucial para a generalização. A incorporação de instrumentos é
uma recomendação para futuras iterações do projeto.
Contribuições da Experiência
Esta experiência oferece um modelo prático e replicável de
como alinhar uma exigência normativa a uma oportunidade de
fortalecimento cultural em ambientes de saúde.
Em termos práticos e institucionais, a iniciativa demonstrou
sua sustentabilidade ao ser incorporada ao planejamento anual do
hospital, alinhando-se às exigências da NR-1 e ao Programa de
Gestão de Risco da unidade.
Essa ação concreta serve de modelo para que outras
instituições de saúde adotem abordagens semelhantes, que
combinem bem-estar individual com intervenções sistêmicas de
escuta.
Para garantir um ciclo completo de inovação e avaliação, os
resultados serão disseminados por meio da submissão a
periódicos científicos e da apresentação em eventos científicos.
CONCLUSÃO
A experiência da Semana da Enfermagem "Cuidando de quem
cuida" revelou-se uma estratégia humanizada, de baixo custo
relativo e alta eficácia como contribuição para a implementação
inicial das diretrizes psicossociais da NR-1 em um ambiente
hospitalar psiquiátrico.
A inovação aplicada não reside nas atividades isoladas, mas
na estratégia integrada que transformou uma data comemorativa
em um vetor para a mudança cultural, transformando uma
obrigação normativa em uma oportunidade genuína de cuidado.
Os aprendizados desta vivência apontam para a importância
de valorizar a participação ativa e a escuta dos trabalhadores. A
alta receptividade ao grupo terapêutico, em particular, sinaliza
uma demanda represada por espaços de acolhimento e validação.
Isso reforça a tese de que o investimento no bem-estar da equipe
não é um custo, mas um investimento direto na qualidade e na
segurança do cuidado ao paciente.
Com base nisso, recomenda-se a continuidade e a
institucionalização das ações iniciadas. Isso inclui transformar o
grupo terapêutico em um programa permanente, capacitar as
lideranças para a identificação e o manejo dos riscos psicossociais
e, como próximo passo do ciclo de melhoria contínua, realizar a
Avaliação Ergonômica Preliminar dos riscos psicossociais,
conforme preconiza a NR-1.
Recomenda-se também a adoção de escalas validadas para a
mensuração do bem-estar e da segurança psicológica, permitindo
um ciclo de avaliação e intervenção mais robusto.
Valorizar os profissionais que cuidam não é apenas uma meta
desejável, mas um pilar essencial para a excelência da assistência
e a sustentabilidade do sistema de saúde.
CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES
Transparência na contribuição dos autores segundo a
Taxonomia CRediT.
Rafael Braga Esteves; Luciana de Souza Lima
Bruna Lopes Cardoso dos Santos; Thalita Padovan
Rafael Braga Esteves; Thais Caroline Barreiros
Cintra
Não aplicável
Luciana de Souza Lima; Bruna Lopes Cardoso dos
Santos; Thalita Padovan; Cindy Maria de Castro
Monteiro
Rafael Braga Esteves; Luciana de Souza Lima;
Wilson Jose Bevilaqua
Luciana de Souza Lima
Luciana de Souza Lima; Bruna Lopes Cardoso dos
Santos; Thalita Padovan; Thais Caroline Barreiros
Cintra; Wilson Jose Bevilaqua; Cindy Maria de
Castro Monteiro; Rafael Braga Esteves
Não aplicável
Wilson Jose Bevilaqua; Rafael Braga Esteves
Thais Caroline Barreiros Cintra; Rafael Braga
Esteves
Thalita Padovan; Cindy Maria de Castro Monteiro
Rafael Braga Esteves; Luciana de Souza Lima
Luciana de Souza Lima; Bruna Lopes Cardoso dos
Santos; Thalita Padovan; Thais Caroline Barreiros
Cintra; Wilson Jose Bevilaqua; Cindy Maria de
Castro Monteiro; Rafael Braga Esteves
DECLARAÇÕES
Conflitos de interesse
Não aplicável
Financiamento
Não aplicável
Aprovação ética
Não aplicável
Agradecimentos
Não aplicável
Preprint
Não aplicável
Inteligência Artificial
Durante a elaboração deste manuscrito, ferramentas
de inteligência artificial foram empregadas como
assistentes de verificação. Especificamente, o
Assistente de Verificação de Artigos (CEJAM/ChatGPT)
e o Gemini (Google) foram utilizados para apoiar a
conferência da formatação das referências
bibliográficas no estilo Vancouver. Todo o conteúdo
sugerido foi submetido à curadoria humana, com
verificação e correção manual realizada pelos autores
com base nas diretrizes do periódico e nas fontes
primárias. A verificação de similaridade do documento
foi conduzida com o software CopySpider
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