Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650046
OPEN ACCESS
Autoria
Pâmela Caroline Santos Uemoto1
ORCID: https://orcid.org/0009-0006-3683-3241
Juliana Salomão Rocha de Oliveira1
ORCID: https://orcid.org/0009-0008-4708-1051
Andresa Gomes de Paula1
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5077-7908
Maristela Santini Martins1*
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0730-3923
*Correspondente: maristelasanti@usp.br
Instituição
¹Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo (USP), São
Paulo, SP, Brasil.
Como citar este artigo • Copyright©
Uemoto PCS, Oliveira JSR, Paula AG, Martins MS. Engajamento
de Pacientes e Familiares nas Análises de Eventos Adversos:
uma Prática Possível? [editorial]. Rev. Tec. Cient. CEJAM.
2026;5:e202650046. DOI: https://doi.org/10.59229/2764-
9806.RTCC.e202650046.
Editores
Abel Silva de Meneses Editor Chefe
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1632-2672
André Ramalho Editor Científico
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8099-3043
Submetido Aceito
24-01-2026 02-02-2026
Editorial
Engajamento de Pacientes e Familiares nas Análises de
Eventos Adversos: uma Prática Possível?
Patient and Family Engagement in Adverse Event Analysis: a Feasible
Practice?
Participación del Paciente y la Familia en el Análisis de Eventos
Adversos: ¿una Práctica Factible?
Descritores: Segurança do Paciente; Engajamento do Paciente; Gestão de Riscos; Erros
Médicos; Serviços de Saúde.
Descriptors: Patient Safety; Patient Engagement; Risk Management; Medical Errors;
Health Services.
Descriptores: Sécurité des patients; Empoderamiento del Paciente; Gestión de Riesgos;
Erreurs médicales; Servicios de Salud.
COMUNICAÇÃO EDITORIAL
Em um breve olhar sobre a complexidade dos serviços de saúde,
sabe-se que estes são caracterizados pela existência de indivíduos
que interagem entre si de forma autônoma e adaptativa, estando
inseridos em um ambiente com uma infinidade de equipamentos e
insumos, regidos por uma abundância de normas e regulamentações,
em meio a processos interdependentes, por vezes fragmentados, que
dificultam a tomada de decisão e levam à ocorrência de resultados
incertos e agravos à saúde.
Cenário propício para a ocorrência de eventos adversos, que são
compreendidos como incidentes ou erros não intencionais,
decorrentes da prestação de cuidados de saúde, que resultam em
dano para o paciente e levam a aproximadamente 3 milhões de
mortes por ano(1).
Frente a essas considerações, surge a necessidade de
compreensão das lacunas e fragilidades que levam à ocorrência
desses eventos, para as quais as organizações empregam métodos
que auxiliam na identificação e compreensão das causas
relacionadas, a fim de evitar possíveis recorrências.
Prática regulamentada no Brasil pela Resolução RDC 36, de 25
de julho de 2013, que estabelece a criação dos Núcleos de Segurança
para a análise de riscos e eventos adversos, propondo, inclusive,
ações que estimulam o engajamento do paciente e de sua família(2).
O termo “Engajamento de Pacientes” nasce como um movimento
constituído pelos próprios pacientes que, na década de 1970, se
mobilizaram em defesa de seus direitos frente à cultura que imperava
na época, centrada predominantemente nas decisões médicas. Sua
definição está voltada a atuação do paciente, família e seus
representantes trabalhando em conjunto com os profissionais da
saúde para a melhoria dos processos assistenciais(3).
Nos últimos anos, tem sido associado às questões de qualidade e
segurança, uma vez que sua aplicação favorece as melhores práticas
assistenciais, como o aumento da adesão à higiene das mãos, a
redução dos eventos de queda, a melhoria da gestão dos
medicamentos prescritos e até uma melhor experiência durante a
internação, bem como melhores desfechos.
OPEN ACCESS https://revista.cejam.org.br
2
Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2026;5:e202650046
Quanto às análises de eventos adversos, o engajamento de
pacientes e familiares contribui para um entendimento mais
profundo das causas que levaram à ocorrência dos eventos, a
partir de suas vivências, ao compartilhar detalhes e situações que
podem não ter sido observadas pelos profissionais de saúde.
Alguns desafios são observados em relação ao letramento em
saúde, quanto à compreensão dos processos relacionados à
assistência, como protocolos, equipamentos e conhecimentos que
podem estar associados ao processo de análise, limitando a total
compreensão por parte dos pacientes e familiares. Igualmente,
questões relacionadas ao quadro de saúde, além das questões
emocionais envolvidas em decorrência do erro, podem interferir e
até mesmo “quebrar” as relações de confiança com a organização,
dificultando o processo de análise.
Analisar um evento adverso é uma prática que exige
maturidade dos serviços de saúde, bem como preparo de seus
processos e profissionais, para que não se transforme em um
“acumulador de danos”, levando a injustiças epistêmicas, que
consistem em considerar pacientes e familiares como indivíduos
injustamente desqualificados ou desvalorizados e que, assim, não
poderiam contribuir para a compreensão das causas por
desconhecerem as realidades que envolvem a assistência à
saúde(4).
Um movimento de engajamento de pacientes e familiares nas
análises vem sendo observado por meio do relato de suas
perspectivas, em entrevistas realizadas com o intuito de entender
as fragilidades do processo, podendo ser considerado um
momento de desabafo e acolhimento frente ao ocorrido.
Contudo, a prática exige certa cautela, uma vez que existem
expectativas quanto aos desdobramentos da análise e ao que, de
fato, será realizado para que eventos similares não voltem a
ocorrer, podendo, a depender do modo de condução, contribuir
para um falso engajamento, ou tokenismo, em que o a
contrapartida do serviço em realmente implantar e considerar os
pontos trazidos pelos pacientes e familiares durante as
entrevistas(5).
Diversos são os desafios ao se considerar o engajamento de
pacientes e familiares nas análises de eventos adversos; contudo,
trata-se de uma prática possível, que está diretamente
relacionada a um direito fundamental e a uma escolha ética,
cultural e organizacional.
Cabe aos serviços de saúde um olhar para seus processos de
análise, visando possíveis adequações quanto aos métodos de
análise e às linguagens empregadas, bem como à flexibilização
das estratégias para permitir que pacientes e familiares sejam
engajados.
São mudanças que exigem tempo e esforço para um diálogo
respeitoso e honesto, promovendo responsabilidades e o
empoderamento das partes, com preocupação com questões de
igualdade e moldando a cultura para além do aprendizado,
direcionando-a também para a cura de todos os envolvidos.
CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES
Transparência na contribuição dos autores segundo a
Taxonomia CRediT.
Conceitualização
Pâmela Caroline Santos Uemoto; Juliana Salomão
Rocha de Oliveira; Andresa Gomes de Paula;
Maristela Santini Martins
Curadoria de dados
Não aplicável
Análise formal
Não aplicável
Aquisição de financiamento
Não aplicável
Investigação
Não aplicável
Metodologia
Não aplicável
Administração do projeto
Pâmela Caroline Santos Uemoto; Maristela Santini
Martins
Recursos
Não aplicável
Software
Não aplicável
Supervisão
Maristela Santini Martins
Validação
Não aplicável
Visualização
Pâmela Caroline Santos Uemoto; Maristela Santini
Martins
Escrita - esboço original
Pâmela Caroline Santos Uemoto; Maristela Santini
Martins
Escrita - revisão e edição
Pâmela Caroline Santos Uemoto; Maristela Santini
Martins
DECLARAÇÕES
Conflitos de interesse
Não aplicável
Financiamento
O presente trabalho foi realizado com apoio da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) Código de Financiamento 001
Aprovação ética
Não aplicável
Agradecimentos
Não aplicável
Preprint
Não aplicável
Inteligência Artificial
Ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas
exclusivamente para a correção ortográfica e
gramatical do manuscrito. Todo o conteúdo intelectual,
a análise crítica e a responsabilidade pelo texto são
integralmente dos autores
REFERÊNCIAS
1. Slawomirski L, Klazinga N. The economics of patient safety: from
analysis to action. Paris: OECD; 2022. Available from:
https://www.oecd-ilibrary.org/social-issues-migration-health/the-
economics-of-patient-safety_761f2da8-en. Accessed: 2025 Dec 18.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Resolução RDC 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a
segurança do paciente em serviços de saúde e dá outras providências.
Diário Oficial da União. 2013 Jul 25. Available from:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2013/rdc0036_25
_07_2013.html. Accessed: 2025 Dec 18.
3. Carman KL, Dardess P, Maurer M, Sofaer S, Adams K, Bechtel C, et al.
Patient and family engagement: a framework for understanding the
elements and developing interventions and policies. Health Aff
(Millwood). 2013;32(2):223231. Available from:
https://www.healthaffairs.org/doi/epdf/10.1377/hlthaff.2012.1133.
Accessed: 2025 Dec 18.
4. Wailling J, Marshall A, Bishop S, Smith J, McMillan J, Iedema R, et al.
Humanizing harm: using a restorative approach to heal and learn from
adverse events. Health Expect. 2022;25(4):11921199.
doi:10.1111/hex.13478. Available from:
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9327844/. Accessed: 2025
Dec 18.
5. Saut AM. Engajamento do paciente e sua interface com a gestão da
qualidade no âmbito hospitalar [thesis]. São Paulo: Escola Politécnica,
Universidade de São Paulo; 2021. Available from:
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3136/tde-01092021-
101126/en.php. Accessed: 2025 Dec 18.