Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2025;4:e202540031
CEJAM
Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
Rua Dr. Lund, 41, Liberdade
São Paulo/SP - CEP: 01513-020
11 3469-1818
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Autoria
Marcelo Pollini
1
ORCID:
https://orcid.org/0009-0007-4750-2680
Anamélia Gomes de Carvalho
1
ORCID:
https://orcid.org/0009-0002-7257-5463
João Francisco Romano
1
ORCID:
https://orcid.org/0000-0001-5013-6676
Floriza de Jesus Mendes Santana
1
ORCID:
https://orcid.org/0000-0002-4586-6225
Instituição
1
Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim
(CEJAM), São Paulo, SP, Brasil.
Autor Correspondente
Marcelo Pollini
e-mail: <marcelo.pollini@cejam.org.br>
Como citar este artigo
Pollini M, Carvalho AG, Romano JF, Santana FJM. Eficácia
do Rateio de Despesas Administrativas em Unidades
de Saúde Gerenciadas por Organizações Sociais de
Saúde. Rev. Tec. Cient. CEJAM. 2025;4:e202540031.
DOI:
https://doi.org/10.59229/2764-9806.RTCC.
e202540031
.
Submissão
Aprovação
13/11/2024
10/02/2025
Artigo Original
Eficácia do Rateio de Despesas Administrativas em
Unidades de Saúde Gerenciadas por Organizações Sociais
de Saúde
Effectiveness of Administrative Cost-Sharing in Health Units Managed by
Social Health Organizations
Resumo
Objetivo:
Avaliar o impacto da centralização do setor financeiro e a distribuição
proporcional de suas despesas por meio de rateio institucional, em unidades de
saúde pública gerenciadas por uma Organização Social de Saúde (OSS).
Método:
O estudo comparou os custos do setor financeiro de quatro unidades de saúde no
primeiro semestre de 2022, quando esses setores estavam alocados localmente
em cada unidade, com os custos do mesmo período em 2024, após a centralização
da operação financeira na sede da OSS. Os dados foram extraídos do sistema de
custos da instituição, auditado anualmente.
Resultados:
A análise demonstrou
uma redução média nos custos administrativos de 55,50% após a centralização,
sugerindo que o modelo de rateio institucional é eficiente e econômico, fortalecendo
a viabilidade da gestão centralizada pela OSS e sua capacidade de alocar mais
recursos para áreas críticas.
Conclusão:
Este estudo enriquece a literatura sobre
gestão de recursos públicos em saúde por Organizações Sociais de Saúde ao
apresentar evidências quantificadas que demonstram os benefícios da centralização
das atividades administrativas e do rateio proporcional dessas despesas, resultando
em maior eficiência na alocação de recursos e uso mais sustentável dos recursos
da saúde pública.
Descritores
: Redução de Custos; Organizações sem Fins Lucrativos; Administração
Financeira; Sistema Único de Saúde.
Abstract
Objective:
To assess the impact of financial sector centralization and the proportional
allocation of its expenses through institutional cost-sharing in public health units
managed by a Social Health Organization (SHO).
Method:
The study compared the
financial sector costs of four health units in the first half of 2022, when these sectors
were locally allocated within each unit, with costs from the same period in 2024,
after the centralization of financial operations at the SHO headquarters. Data were
extracted from the institution’s cost system, which is audited annually.
Results:
The analysis demonstrated an average reduction of 55.50% in administrative costs
following centralization, suggesting that the institutional cost-sharing model is
efficient and economical, strengthening the viability of centralized management by
the SHO and its ability to allocate more resources to critical areas.
Conclusion:
This study contributes to the literature on public health resource management by
Social Health Organizations by providing quantified evidence demonstrating the
benefits of centralizing administrative activities and proportionally allocating these
expenses, resulting in greater efficiency in resource allocation and promoting a
sustainable use of public health resources.
Descriptors
: Cost Reduction; Nonprofit Organizations; Financial Management;
Unified Health System.
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INTRODUÇÃO
Nos últimos 30 anos, a gestão financeira de serviços de
saúde pública tem enfrentado desafios significativos. As parcerias
público-privadas, especialmente aquelas estabelecidas com
Organizações Sociais de Saúde (OSS), surgem como alternativas
promissoras para trazer mais eficiência à administração dos
recursos públicos
(1)
. No entanto, a alocação de despesas
administrativas, frequentemente centralizadas e rateadas entre
as unidades de saúde, conhecidas como despesas indiretas,
é alvo constante de questionamentos por órgãos públicos e
tribunais de contas, que reiteradamente colocam em xeque sua
real necessidade e eficiência
(2)
.
Não obstante, a centralização do setor financeiro e a
distribuição proporcional de suas despesas entre as unidades de
saúde é uma estratégia que pode trazer benefícios significativos
para a regionalização dos serviços de saúde.
A propósito, conforme descrito no modelo de regionalização
de uma OSS modelo referência
(3)
, a territorialização e a equidade
são princípios fundamentais para a organização dos serviços
em territórios definidos, promovendo maior alinhamento entre
as demandas locais e a oferta de cuidados. Sob esse aspecto,
a economia gerada pela centralização administrativa no modelo
regionalizado tem potencial para fortalecer esses princípios,
permitindo a redistribuição de recursos para áreas finalísticas,
como o atendimento direto ao paciente do Sistema Único de
Saúde (SUS).
Diante disso, se faz necessário indagar se a centralização de
setores financeiros e o consequente rateio do custo administrativo
centralizado, de forma proporcional entre as unidades, resulta em
uma redução significativa nos custos administrativos e otimiza
a alocação de recursos em quatro unidades de saúde pública
gerenciadas por uma OSS.
Este estudo tem como objetivo avaliar a eficácia da
centralização do setor financeiro sobre a redução de custos
administrativos e otimização de recursos de quatro unidades de
saúde pública gerenciadas por uma OSS.
Dessa forma, o estudo pretende contribuir para o debate sobre
a eficiência de modelos de rateio de despesas administrativas
em serviços públicos de saúde, contextualizando os resultados
no âmbito da regionalização e da gestão eficiente dos recursos
públicos.
MÉTODO
Desenho e Cenário
Estudo quantitativo que contemplou os custos de quatro
unidades de saúde pública do Estado de São Paulo, gerenciadas
com a parceria da OSS Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João
Amorim (CEJAM).
As unidades selecionadas foram, um Ambulatório Médico
de Especialidades (AME), que realiza aproximadamente 20 mil
atendimentos por mês; um Ambulatório Médico de Especialidades
(AME), que realiza aproximadamente 7 mil atendimentos por
mês; uma Unidade da Rede de Reabilitação Lucy Montoro que
realiza aproximadamente 360 atendimentos médicos e 1.000
consultas/sessões não médicas por mês e; um Hospital Regional
Estadual, com 109 leitos.
Protocolo de Estudo
Para realizar a análise dos dados, foram coletadas informações
do sistema de custos da OSS, utilizado para prestação de contas
mensal ao órgão público com a qual a OSS mantém contratos
de gestão, bem como para prestação de contas para o Tribunal
de Contas do Estado. Esse sistema de custos é alimentado
com informações contábeis que são auditadas anualmente por
auditorias independentes e segue a metodologia de custos
preconizada pelo Ministério da Saúde.
A comparação foi realizada entre os custos diretos e indiretos
do setor financeiro no primeiro semestre de 2022, quando cada
unidade possuía um setor financeiro alocado dentro de sua
estrutura, e no primeiro semestre de 2024, após a centralização
das atividades financeiras na sede da OSS e a implementação
do rateio de despesas para as unidades de saúde de forma
proporcional e equitativa.
A escolha dos períodos de 2022 e 2024 reflete o impacto
direto da implementação da centralização administrativa, que foi
plenamente realizada em 2023. Esse intervalo possibilitou uma
comparação robusta entre o cenário pré-intervenção, onde os
setores financeiros estavam descentralizados, e o cenário pós-
intervenção, com a consolidação do modelo centralizado. Para
garantir a precisão da análise, foram ajustados os valores pela
inflação acumulada no período, utilizando o Índice Nacional
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e fatores externos,
como variações econômicas e regulatórias, foram considerados
na discussão. Além disso, essa escolha está alinhada às
diretrizes regionais da OSS
(3)
, que destacam a importância da
territorialização e da equidade no uso dos recursos economizados
para fortalecer linhas de cuidado integrais.
Os dados foram extraídos diretamente do sistema e analisados
utilizando comparações diretas entre os dois períodos. O impacto
das despesas rateadas foi avaliado em termos de redução de
custos do centro de custo "Controladoria" de cada unidade, pois é o
centro de custo que agrega todos os custos diretos e indiretos das
atividades financeiras de cada unidade, conforme padronização
da OSS. As quatro unidades analisadas foram selecionadas
com base na singularidade de suas operações, sendo as únicas
gerenciadas pela OSS que passaram pela centralização financeira
no período avaliado. Essa escolha permitiu uma análise direta
do impacto da intervenção em diferentes perfis assistenciais,
incluindo ambulatórios e hospital.
A descrição da implementação da centralização, foi norteada
pela diretriz Template for Intervention Description and Replication
(TIDieR)
(4)
, detalhando as etapas do processo, que incluiu a
migração das atividades financeiras locais para a sede da OSS, a
padronização dos processos contábeis e a introdução de critérios
objetivos para o rateio proporcional de despesas, considerando o
volume orçamentário de cada unidade. As unidades que já tinham
centralização ou que ainda não passaram por esse processo foram
excluídas deste estudo para garantir a comparabilidade dos dados
e a análise do impacto direto da centralização e do rateio.
RESULTADOS
A análise comparativa entre o primeiro semestre de 2022 e o
primeiro semestre de 2024 nas quatro unidades de saúde – nos
dois Ambulatórios Médicos de Especialidades (AME), na Unidade
da Rede de Reabilitação Lucy Montoro e no Hospital Regional
Estadual - revelou uma significativa variação nos custos dos
centros de custo "Controladoria" após a centralização do setor
financeiro na sede da OSS e a adoção do rateio das despesas.
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AME que realiza 20 mil atendimentos mês
No primeiro semestre de 2022, os custos totais do centro de custo "Controladoria" variaram entre R$ 13.780,78 e R$ 26.589,09
por mês, com média mensal de R$ 20.576,45. Após a centralização em 2024, os custos mensais do centro de custo reduziram um
intervalo entre R$ 10.641,52 e R$ 12.457,45, e para uma média mensal de R$ 11.205,02. (Tabela 1).
Tabela 1 –
AME 20 mil atendimentos mês - Custo Total Mensal Absoluto com Depreciação e com Recursos Externo, por Centro de
Custo, do Período de 01/2022 a 06/2022 e de 01/2024 a 06/2024, São Paulo, Brasil, 2025.
Serviço de Saúde
Centro de Custo
Período
Competência
Custos (R$)
AME (20 mil
atendimentos/mês)
Controladoria
1º sem./2022
jan./22
17.683,39
fev./22
13.780,78
mar./22
24.201,46
abr./22
26.589,09
mai./22
19.067,15
jun./22
22.136,83
Total
123.458,71
Média
20.576,45
1º sem./2024
jan./24
11.130,12
fev./24
10.979,58
mar./24
10.641,52
abr./24
10.837,65
mai./24
11.183,79
jun./24
12.457,45
Total
67.230,11
Média
11.205,02
Tabela 2 –
AME 7 mil consultas mês - Custo Total Mensal Absoluto com Depreciação e com Recursos Externo, por Centro de Custo,
do Período de 01/2022 a 06/2022 e de 01/2024 a 06/2024, São Paulo, Brasil, 2025.
Serviço de Saúde
Centro de Custo
Período
Competência
Custos (R$)
AME (7 mil
atendimentos/mês)
Controladoria
1º sem./2022
jan./22
15.260,96
fev./22
14.930,55
mar./22
15.740,03
abr./22
15.075,02
mai./22
29.546,01
jun./22
21.019,94
Total
111.572,50
Média
18.595,42
1º sem./2024
jan./24
11.150,06
fev./24
10.444,01
mar./24
10.452,21
abr./24
11.673,10
mai./24
13.333,37
jun./24
12.832,74
Total
69.885,48
Média
11.647,58
AME que realiza 7 mil atendimentos mês
No primeiro semestre de 2022, os custos totais do centro de custo “Controladoria” dessa unidade de saúde variaram entre R$
14.930,55 e R$ 29.546,01 por mês, com média mensal de R$ 18.595,42. Após a centralização em 2024, os custos mensais desse
centro de custo reduziram para um intervalo entre R$ 10.444,01 e R$ 13.333,37, e para uma média mensal de R$ 11.647,58. (Tabela
2).
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Unidade da Rede de Reabilitação Lucy Montoro
No primeiro semestre de 2022, os custos totais do centro de custo "Controladoria" variaram entre R$ 8.194,16 e R$ 11.960,50 por
mês, com média mensal de R$ 10.227,01. Após a centralização em 2024, os custos mensais do centro de custo reduziram para uma
média mensal de R$ 9.343,02. (Tabela 3).
Tabela 3 –
Unidade da Rede de Reabilitação Lucy Montoro - Custo Total Mensal Absoluto com Depreciação e com Recursos Externo,
por Centro de Custo, do Período de 01/2022 a 06/2022 e de 01/2024 a 06/2024, São Paulo, Brasil, 2025.
Serviço de Saúde
Centro de Custo
Período
Competência
Custos (R$)
Lucy Montoro
Controladoria
1º sem./2022
jan./22
9.052,62
fev./22
9.600,42
mar./22
8.194,16
abr./22
10.852,92
mai./22
11.960,50
jun./22
11.701,42
Total
61.362,04
Média
10.227,01
1º sem./2024
jan./24
9.271,92
fev./24
9.023,54
mar./24
8.845,14
abr./24
9.533,17
mai./24
9.550,25
jun./24
9.834,07
Total
56.058,09
Média
9.343,02
Tabela 4 –
Hospital Estadual Regional - Custo Total Mensal Absoluto com Depreciação e com Recursos Externo, por Centro de
Custo, do Período de 01/2022 a 06/2022 e de 01/2024 a 06/2024, São Paulo, Brasil, 2025.
Serviço de Saúde
Centro de Custo
Período
Competência
Custos (R$)
Hospital
Controladoria
1º sem./2022
jan./22
43.062,23
fev./22
49.327,15
mar./22
43.314,13
abr./22
39.805,36
mai./22
35.242,35
jun./22
41.369,56
Total
252.120,78
Média
42.020,13
1º sem./2024
jan./24
7.359,36
fev./24
7.737,58
mar./24
7.470,50
abr./24
7.438,94
mai./24
10.845,02
jun./24
10.072,15
Total
50.923,56
Média
8.487,26
Hospital Estadual Regional
No primeiro semestre de 2022, os custos diretos e indiretos do centro de custo "Controladoria", variaram de R$ 35.242,35 a R$
49.327,15 por mês, com média mensal de R$ 42.020,13. Já em 2024, após a centralização, os custos totais do mesmo período, do
mesmo centro de custo, apresentaram uma redução para o intervalo entre R$ 7.359,36 e R$ 10.845,02 e uma média mensal de R$
8.487,26. (Tabela 4).
Redução de Custos Administrativos por Unidade de Saúde e Valores Ajustados pela Inflação
A redução absoluta de custos administrativos no 1º semestre 2024, quando comparado com os custos do 1º semestre de 2022 das
quatro unidades representou 55,50% sendo que, para o AME 20 mil atendimentos/mês a redução foi de 45,54%, para o AME 7 mil
atendimentos/mês a redução foi de 37,36%, para o Lucy Montoro a redução foi de 8,64% e para o Hospital a redução absoluta nos
custos administrativos foi de 79,80%. A redução de custos pode ser conferida na Figura 1 a seguir.Distribuição de Custos Administrativos
Antes e Após a Centralização Financeira
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Figura 1
– Redução de Custos Administrativos no 1º Semestre de 2022 e 2024 por Unidade de Saúde e Valores Ajustados pela
Inflação, São Paulo, Brasil, 2025.
Figura 2 –
Boxplot da Distribuição de Custos Administrativos Antes e Após a Centralização Financeira, São Paulo, Brasil, 2025.
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Distribuição de Custos Administrativos Antes e Após a
Centralização Financeira
O boxplot comparativo (Figura 2) ilustra as distribuições
de valores de 2022 e 2024, evidenciando uma diferença clara
entre os períodos. Observa-se que, em 2024, os valores estão
significativamente mais baixos e concentrados, enquanto os de
2022 apresentam maior variação e dispersão e a mediana dos
valores de 2024 está visivelmente abaixo da de 2022.
DISCUSSÃO
A análise utilizou dados quantitativos comparativos de
períodos anteriores e posteriores à centralização, destacando
como as economias geradas podem contribuir para a integração
de serviços e o fortalecimento das linhas de cuidado, conforme
preconizado pelo modelo de regionalização da OSS
(3)
.
A centralização de atividades administrativas e a distribuição
proporcional de despesas por meio de rateio têm sido práticas
cada vez mais adotadas mundialmente por organizações que
buscam otimizar operações, reduzir custos e melhorar a qualidade
dos serviços oferecidos
(5)
. A literatura sugere que, ao adotar esses
modelos, é possível alcançar uma maior eficiência administrativa
e otimização de recursos, especialmente em cenários onde os
recursos financeiros são limitados e a necessidade de gestão
eficaz se torna urgente
(6-7)
.
Estudos recentes apontam que a digitalização e centralização
de funções administrativas, especialmente no setor de saúde, têm
se mostrado fundamentais para a redução de custos operacionais
e sustentabilidade financeira em tempos de austeridade fiscal
(5-7)
.
Relatórios da Deloitte
(8)
e McKinsey
(9)
destacam que o uso de
tecnologias emergentes, como inteligência artificial e análise de
dados, potencializam a eficiência de operações de saúde pública,
corroborando os resultados observados neste estudo.
Neste contexto, a análise dos custos do centro de custo
"Controladoria" em quatro unidades de saúde pública gerenciadas
por uma OSS no Estado de São Paulo evidenciou uma redução
média significativa nos custos administrativos, alcançando
variações de até 79,80% no caso do Hospital Estadual Regional.
A análise do desvio padrão entre os períodos comparados
também reforça a consistência na redução de custos, indicando
um controle mais eficiente das despesas após a centralização das
atividades financeiras. (Figura 1).
Para ilustrar a economia em termos anuais, foram
considerados os valores de 2022 e 2024, multiplicando-se o
total de cada semestre por dois para calcular o total e a variação
anual. Este cálculo sugere que, com base nos Contratos de Gestão
estabelecidos com o Governo do Estado de São Paulo para um
período de cinco anos, aproximadamente R$ 3.044.167,86 que
anteriormente seriam destinados a despesas administrativas
podem agora ser alocados para atividades finalísticas em saúde.
Ao corrigir os valores de 2022 pelo IPCA até junho de 2024,
essa realocação ajustada para atividades finalísticas totaliza R$
3.496.315,64.
Complementarmente, para auxiliar na interpretação visual dos
dados o boxplot comparativo (Figura 2), ilustra as distribuições
de valores de 2022 e 2024, evidenciado uma diferença clara
entre os períodos. Observa-se que, em 2024, os valores estão
significativamente mais baixos e concentrados em comparação a
2022, cuja distribuição apresenta maior variação.
A mediana dos valores de 2024 estão visivelmente abaixo
da de 2022, reforçando a consistência da redução de custos.
Além disso, o boxplot destaca que, enquanto os valores de
2022 apresentam maior dispersão, com pontos extremos mais
elevados, os de 2024 demonstram maior controle, refletindo a
eficácia da centralização financeira.
Adicionalmente, para validar estatisticamente a redução de
custos observada, foi aplicado o teste T de Student para comparar
as médias de custo antes e depois da centralização financeira em
todas as unidades.
O teste foi realizado assumindo variâncias desiguais e
considerando um nível de significância de 0,05. Com uma
estatística t geral de 4,96 e um valor p < 0,001 (p = 6,08 x 10
-5
),
percebeu-se que a diferença entre as médias é estatisticamente
significativa, reforçando a eficácia do modelo de centralização.
A análise estatística também incluiu o cálculo do tamanho
do efeito utilizando a métrica d de Cohen, que apresentou um
valor de -1,40. Esse resultado indica que, em média, os custos
administrativos de 2024 foram significativamente menores do que
os de 2022. O tamanho do efeito foi classificado como grande,
sugerindo uma diferença prática relevante entre os períodos
analisados.
Além disso, foi aplicado o teste não paramétrico de Mann-
Whitney U, adequado para avaliar diferenças entre distribuições
quando a normalidade dos dados não é garantida. Os resultados
apresentaram uma estatística U de 509,0, com um valor p
altamente significativo (p=0,000005). Esses achados confirmam
a existência de uma diferença estatisticamente significativa
entre os custos administrativos de 2022 e 2024, reforçando a
consistência e a robustez dos resultados.
Estudos anteriores que avaliaram a eficiência administrativa
em setores da saúde observaram resultados semelhantes
(10)
.
Entretanto, as especificidades do setor público, especialmente
nas interações entre as OSS e os governos estaduais e municipais,
apresentam desafios particulares. Embora as despesas
administrativas – e respectivo rateio - sejam frequentemente
questionadas por órgãos de fiscalização, este modelo demonstrou
que a centralização e o rateio proporcional das despesas são
fundamentais para sustentar o modelo de gestão com maior
eficiência. Assim, a centralização emerge como um fator
determinante para a otimização dos recursos.
Limitações do Estudo
Entre as limitações do estudo, destaca-se a análise
concentrada em apenas quatro unidades de saúde, que foram as
únicas a passar pelo processo de centralização durante o período
estudado. Essa seleção pode não representar a realidade de
todas as unidades gerenciadas pela OSS ou de outras OSS com
diferentes contextos operacionais.
Além disso, fatores externos, como flutuações econômicas ou
mudanças regulatórias ocorridas entre 2022 e 2024, podem ter
influenciado os custos e não foram incluídas na análise.
Recomenda-se que futuros estudos incluam amostras mais
amplas e incorporem controles para variáveis externas, permitindo
uma verificação mais robusta da replicabilidade dos resultados.
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Contribuições para a Área
Os achados deste estudo corroboram a eficácia da centralização
administrativa como uma ferramenta estratégica para fortalecer
a regionalização da saúde, em consonância com as diretrizes da
OSS e do SUS.
A economia gerada, quando redistribuída, pode financiar
ações voltadas para a ampliação do acesso, a integração de
serviços e o fortalecimento das linhas de cuidado. Por exemplo,
a territorialização dos serviços de saúde, uma das bases da
regionalização, pode ser diretamente beneficiada com o aumento
da capacidade financeira para atender às necessidades específicas
de cada região. No entanto, o processo de centralização também
apresenta desafios operacionais e culturais, incluindo a resistência
inicial das equipes locais e a necessidade de capacitação contínua.
Esses desafios devem ser abordados em futuras
implementações, com foco em estratégias que promovam
a adesão e a sustentabilidade das mudanças. Além disso, o
estudo abre caminho para uma discussão mais aprofundada
sobre a transparência, e a necessidade de previsão de despesas
administrativas, comumente denominadas despesas indiretas,
nos contratos de gestão entre OSS e governos estaduais e
municipais
(11)
.
CONCLUSÃO
Este estudo sugere que a centralização administrativa e o
rateio de despesas são estratégias eficazes para otimizar recursos
em unidades de saúde pública.
Os resultados evidenciaram uma redução média de custos
administrativos de 54,69%, com impacto prático significativo
em diferentes perfis assistenciais. Essas economias geradas
representam oportunidade estratégica para fortalecimento das
Redes de Atenção à Saúde (RAS), promovendo otimização com
maior equidade e eficiência no uso dos recursos públicos, em
alinhamento com as diretrizes regionais da OSS.
Além disso, os resultados corroboram a hipótese de que o
modelo centralizado implementado pela OSS resultou em uma
economia real e sustentável, permitindo uma alocação mais
eficiente de recursos para áreas finalísticas.
Apesar das limitações deste estudo, que devem ser
consideradas na interpretação dos achados e em sua replicação
à outros contextos, este modelo não apenas otimizou a gestão
financeira e eliminou redundâncias mas também padronizou os
serviços oferecidos, criando condições para uma alocação mais
estratégica de recursos públicos e direcionando mais verba para
áreas que impactam diretamente a qualidade do atendimento ao
paciente do SUS.
A centralização e o rateio de despesas se mostraram
abordagens robustas e economicamente viáveis para a gestão de
unidades de saúde pública, contribuindo para a sustentabilidade
financeira das operações e para a melhoria da qualidade dos
serviços oferecidos. A implementação deste modelo em outras
unidades de saúde pública e setores geridos por Organizações
Sociais pode gerar economias significativas e possibilitar uma
alocação de recursos mais estratégica.
Recomenda-se que gestores de OSS e autoridades públicas
considerem a centralização como uma abordagem de longo
prazo, capaz de garantir maior eficiência na gestão financeira e
melhores resultados operacionais, com impacto positivo direto no
atendimento à população. A adoção desse modelo pode contribuir
substancialmente para a sustentabilidade das operações de
saúde pública e para o fortalecimento da qualidade e equidade no
cuidado ao cidadão.
ASSISTÊNCIA DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Para aprimorar a clareza, fluidez e revisão gramatical do texto,
foi utilizado o apoio da ferramenta de I.A. ChatGPT Plus versão
4.0 da OpenAI.
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CEJAM
Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
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São Paulo/SP - CEP: 01513-020
11 3469-1818
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